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domingo, 7 de abril de 2013

Festa da Misericórdia e São Dimas 2013

Nos dias 06 e 07 de abril, a comunidade de São Dimas celebrou o 2º Domingo da Páscoa – Domingo da Misericórdia e o seu padroeiro, Sâo Dimas.

O dia de São Dimas, na verdade, é 25 de março, mas a liturgia da Semana Santa se sobrepõe a qualquer outra solenidade, pelo que a celebração do Padroeiro só foi realizada agora, no tempo pascal.

Na Santa Missa da noite de Domingo, o Pe. Claudio salientou a feliz “coincidência” de celebrarmos São Dimas e Jesus Misericordioso no mesmo dia, já que é possível entender melhor a Misericórdia Divina a partir da história de São Dimas.

Jesus, que só fez o bem, foi condenado e contado entre os malfeitores - traído e abandonado, tem dois companheiros de suplício. Um deles zomba: “Se és mesmo o Messias, salva-te a ti mesmo… e a nós”! Às vezes também nós sofremos a tentação de só buscar a Deus por interesse - amá-Lo pelo que Ele pode nos dar, que é o caso do primeiro malfeitor.

Muitas vezes na vida passamos – e passaremos – por tribulações; se nossa fé não for madura, só buscaremos os dons do Criador, não o Senhor.

Dimas, o segundo condenado,  admite os seus graves pecados, e repreende o companheiro. Reconhece e não se furta à ação da justiça: “Quanto a nós, o merecemos”, mas não se acanha em recorrer à misericórdia: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres em Teu Reino”.

Perdemos a oportunidade de recebermos a Graça quando deixamos de olhar a fé que nos anima para ver as falhas e as imperfeições em nossa caminhada. Quando temos o coração contrito, Jesus nos diz: ainda hoje alcançará a minha misericórdia.

Meditemos também na história de Santa Faustina:

Faustina, com pouca escolaridade, sente o chamado vocacional, mas os pais não permitem que seja religiosa, dizem que precisa trabalhar e ajudar no sustento da casa. Mais tarde, trabalhando em casa de família, em Cracóvia, se perde um pouco, deixa de fazer oração, vai para os divertimentos e festas dos jovens. Em um salão de festas, ela vê Jesus, que lhe diz: “até quando terei que ter paciência contigo?”

A partir dessa experiência, Faustina tenta entrar para a vida religiosa, sendo rejeitada por várias congregações, até que consegue entrar em uma, que lhe designa tarefas bem simples: copa, portaria, jardinagem.

Foi esta Freira simples que Jesus escolheu para ser a "Secretária da Misericórdia" - Deus capacita os seus escolhidos! Jesus a transformou pela Misericórdia.

Se Jesus é capaz de transformar um ladrão em um Santo, ele pode fazer o mesmo por nós, basta recorrermos à sua Misericordia.

Olhemos para a Imagem de Jesus Misericordioso: Cristo Vitorioso, Ressuscitado, de cujo lado saem raios vermelhos e brancos, sangue e água , representando o sacrifício redentor  e  a vida eterna (água batismal).

Confira as fotos:

domingo, 31 de março de 2013

Vigília Pascal (30032013)

“Jesus está morto e foi sepultado. Porém, persiste a esperança e a confiança em suas palavras, de que ressuscitaria ao terceiro dia. A Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando sua Paixão e Morte, e abstendo-se do sacrifício da Missa, até que, após a solene Vigília em que espera a Ressurreição, se entrega às alegrias da Páscoa, que transbordarão por cinquenta dias. Segundo antiquíssima tradição, esta noite deve ser comemorada em honra do Senhor e a Vigília que nela se celebra, em memória da noite santa em que Cristo ressuscitou, deve ser considerada a mãe de todas as santas Vigílias”  (Santo Agostinho).

“Esta é a celebração mais importante na vida do cristão. Nela falam os símbolos da vida: o fogo, a luz, a água, o óleo, o pão e o vinho. A Missa da Vigília Pascal, celebrada em todas as Paróquias, à noite, começa na escuridão, simbolizando a morte. Pouco a pouco, as luzes do templo são acesas. Uma grande vela, o Círio Pascal, é conduzida solenemente ao altar, lembrando a presença do Ressuscitado. Em seguida, as leituras mostram toda a história da salvação. Antes da leitura do Evangelho, acontece o anúncio da Ressurreição de Cristo, através de um canto solene. A seguir é feita a bênção da água, que será usada no Sacramento do Batismo durante todo o ano. A Missa continua, então, em clima de alegria, festa e união.” (Pascom Arquidiocese de Campinas).

Foi bem assim a nossa vigília: em clima de alegria, festa e união. Na homilia, o Pe. Cláudio ressaltou os pontos seguintes, para nossa meditação:

Deus  sempre teve um projeto para nós e nao desiste nunca de nos salvar.

A palavra de Deus quer mostrar que Deus criou todas as coisas cada uma no seu devido tempo. Quando o cenario de perfeição estava pronto, ele os criou, homem e mulher.  Deus criou tudo e viu que tudo era bom.

Deus dá a liberdade, e no mau uso desta, o homem acaba pecando. Mas Deus não desiste. Quer convidar o homem a voltar ao seu projeto. Abrão foi o primeiro a receber este convite, quando nem conhecia a Deus.

Abrao aceitou o convite sem conhecer a Deus, quanta fé! Ele não tinha respostas, mas acreditou. Por ele ter tamanha fé é que Deus fez com ele aliança. Isaque é o filho da aliança. Deus lhe pede o filho, e Abrão nao questiona!

Abrão resguarda a fe de Isaque, não diz o que ia ocorrer. Diz apenas: “Deus Proverá”.

A cruz é a unica escada que leva aos céus. Nos esquecemos disso e queremos uma vida sem sofrimentos.

O povo se esquece da aliança, torna-se escravo, clama  a Deus, que levanta Moises.

Deus nao tarda, ele realiza tudo ao seu tempo. Ele capricha.

Passaremos a pe enxuto nos sofrimentos se colocarmos nossa confiança em Deus.

Novamente o povo cai em pecado. Reclamava e tinha saudades do egito!

Plenitude da Perfeição: em Cristo, o Novo Adão. Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem.

O sepulcro esta vazio, Ele ressuscitou! - Anunciemos a boa nova - temos essa missão, de anunciar o amor, o perdão, a justiça, a pessoa de Jesus , enfim.

Vamos conferir as fotos?

quinta-feira, 14 de março de 2013

Primeira Homilia do Papa Francisco (14/03/2013)


Missa Pro Ecclesia
Leituras: Is 2,2-5; Sl 97;,1 Pd 2, 4-9, ; Evangelho :Mt 16, 13-19


Nestas três leituras reconheço-lhes algo de comum: o movimento. Na Primeira Leitura o movimento no caminho, na Segunda Leitura, o movimento na edificação da Igreja; na terceira, no Evangelho, o movimento no professar. Caminhar, edificar, professar.

Caminhar. “Casa de Jacob, vinde, caminhemos na luz do Senhor” (ls 2,5). Esta é a primeira coisa que Deus diz a Abraão: Caminha na minha presença e sê irrepreensível. Caminhar: a nossa vida é um caminho e quando paramos, não corre bem. Caminhar sempre, na presença do Senhor, à luz do Senhor, procurando viver com aquela irrepreensibilidade que Deus pedia a Abraão na sua promessa.

Edificar. Edificar a Igreja. Fala-se em pedras: as pedras têm consistência; mas pedras vivas, pedras untadas pelo Espírito Santo. Edificar a Igreja, a Esposa de Cristo, sobre aquela pedra angular que é o próprio Senhor. Eis um outro movimento da nossa vida: edificar.

Em terceiro lugar, professar. Podemos caminhar quanto quisermos, podemos edificar muitas coisas, mas se não professarmos Jesus Cristo, não corre bem. Tornar-nos-emos uma ONG que presta assistência, e não a Igreja, Esposa do Senhor. Quando não caminhamos, permanecemos parados. Quando não se edifica sobre as pedras o que é que acontece? Passa-se o mesmo com as crianças, na praia, quando constroem castelos na areia e tudo desaba sem consistência.


Quando não se professa Jesus Cristo, vem-me à memória a frase de León Bloy: “Quem não prega o Senhor, prega o diabo”. Quando não se professa Jesus Cristo, professa-se a mundanidade do demónio.

Caminhar, edificar-construir, professar. Não é assim tão fácil, porque no caminhar, no construir, no professar, por vezes sofremos choques, sucedem acções que não são próprias das acções do caminhar: são acções que nos fazem andar para trás.

Este Evangelho prossegue com uma situação especial. O mesmo Pedro que professou Jesus Cristo, diz-Lhe: Tu és Cristo, o Filho do Deus vivo. Seguir-te-ei. Seguir-te-ei mas não falemos de Cruz. Isso não interessa. Seguir-te-ei de outras formas que não a Cruz. Quando caminhamos sem a Cruz, quando edificamos sem a Crus e quando professamos um Cristo sem a Cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos Bispos, Padres, Cardeais, Papas, mas não discípulos do Senhor.

Queria que todos, assim que passarem estes dias de graça, que tivéssemos a coragem, uma verdadeira coragem, de caminhar com o Senhor presente, com a Sua Cruz; de edificar a Igreja sobre o Seu sangue derramado sobre a Cruz; e de professar a única glória; Cristo Crucificado. Assim a Igreja seguirá em frente.

Desejo para todos nós que o Espirito Santo, pela oração a Nossa Senhora, nossa Mãe, nos conceda esta graça: de caminhar, edificar, professar Jesus Cristo Crucificado.
sábado, 2 de março de 2013

HOMILÍA III DOMINGO DA QUARESMA–ANO C

 

HOMILÍA III DOMINGO DA QUARESMA

1)

A Quaresma é o tempo que propõe à nossa reflexão para a Páscoa o encontro com o Senhor, que deve ter certa semelhança com aquilo experimentado por Moisés.

Também hoje é necessário ter uma “visão extraordinária” (Ex 3,3) atraídos pelo mistério que se acompanha: “par ver porque a sarça não se consome” (Ex 3,3), para ver porque a eternidade não passa, para ver quanto é grande o mistério da vida, para ver e experimentar a imensidade da misericórdia de Deus.

Nós somos inadequados para este encontro: “Não te aproximes! Tira as sandálias dos pés” (Ex 3,5), mas Deus revelando o próprio nome: “Eu sou aquele que sou” (Ex 3,14) nos admite à sua presença para poder depois proclamar seu nome.

2)

São Paulo nos indica claramente para a Quaresma que as vicissitudes no deserto “aconteceram para serem exemplos para nós” (1Cor 10,6) e nos fornece um critério para vencer as tentações: “Portanto, quem julga estar de pé tome cuidado para não cair” (1Cor 10,12).

Ninguém tem a certeza de não pecar, por esta razão é necessária a vigilância e a prudência.

3)

Jesus nos lembra a relação entre pecado e castigo: “Se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo” (Lc 13, 3.5) e a necessidade de produzir frutos, na parábola da figueira: “Se não der (frutos), então tua a cortarás” (Lc 13,9).

A Quaresma não é somente tempo para a conversão, mas também para dar frutos como conseqüência direta da conversão.

Conversão que abandona o passado e se orienta totalmente para o presente na vigilância para não voltar atrás, e para o futuro para dar frutos de santidade.

Padre Ausilio Chessa

domingo, 24 de fevereiro de 2013

HOMILIA DO II DOMINGO DA QUARESMA–ANO C

1)

A Aliança de Deus com seu Povo, além de ser a manifestação do seu amor, é o testemunho da vontade humana que quere corresponder com um assenso de fé: “Abrão teve fé no Senhor, que considerou isso com justiça” (Gn 15,6) a uma promessa que da mesma Aliança é o ato formal: “Aos teus descendentes darei esta terra” (Gn 15,18).

Refletir sobre a Aliança é como refletir sobre o porque da Criação, porque ambas constituem a manifestação do amor de Deus cuja plenitude é o Cristo Filho Unigênito do Pai.

Como no Antigo Testamento a Aliança é visível no dom da terra: “Aos teus descendentes darei esta terra” (Gn 15,18), assim no Novo Testamento (Nova Aliança) é visível no dom do Filho pelo Pai a toda a humanidade, Cristo, que aperfeiçoa a Antiga Aliança.

2)

A Aliança que Cristo estabelece como “nova e eterna Aliança” é o chamado para uma transformação do cristão: “Ele transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso” (Fl 3,21).
Em São Paulo a Aliança supera as categorias humanas, quando afirma que "somos ministros de uma Aliança nova, não da letra, e sim do Espírito, porque a letra mata, mas o Espírito comunica a vida" (2Cor 3,6).
A participação do cristão na obra da Redenção assume as características do ministério, orientado para o Cristo e ao mesmo tempo acompanhado pela Graça recebida pela Aliança do Espírito.

3)

A experiência da Transfiguração é uma confirmação da Aliança do Pai com os Apóstolos representados por Pedro, João e Tiago, no Filho: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que Ele diz!” (Lc 9,35).

A revelação do Pai de fato é o revelar-se numa Aliança na qual doa o próprio Filho e que exige uma obediência e docilidade à Palavra que proclamará.

De certa maneira, mesmo sem uma consciência plena – “não sabia o que estava dizendo “ (Lc 9,33) - por Pedro é dada a adesão a esta Aliança: “Mestre, é bom estarmos aqui” (Lc 9,33), exatamente no corresponder da própria vida com a vida de Cristo.

De fato, a Aliança é a plenitude do ser cristão, confirmada por nós comungando ao Corpo e ao Sangue de Cristo e, certa maneira, se atualizam sacramentalmente os ritos que antigamente confirmavam a aliança no sangue daqueles que estipulavam a mesma aliança.

O Corpo e o Sangue de Cristo, substituindo os ritos da Antiga Aliança, constituem a Nova e Eterna Aliança: Cristo Sacerdote, Altar e Vitima.
De modo particular, a Transfiguração nos acompanha neste tempo de Quaresma para sermos transfigurados com Cristo por meio da oração, da esmola e do jejum.

Padre Ausilio Chessa

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

HOMILÍA I DOMINGO DA QUARESMA

 

1)

O caminho quaresmal – como toda a nossa peregrinação terrena – se fundamenta essencialmente, orientados para a Páscoa, numa profissão de fé, da qual a penitência é uma conseqüência, ou melhor, uma explicitação.

Profissão de fé, não somente direta segundo a formula litúrgica, mas encarnada na vida cotidiana segundo um estilo de vida conforme ao Senhor Jesus.

Por esta razão, a Quaresma é um tempo no qual, seguindo a profissão de fé de Israel, estruturada na passagem da escravidão para a liberdade (cfr. Dt 26,4-10), devemos refletir e decidir-nos para a nossa passagem – mudança – do pecado à Graça, e assim também nós inclinar-nos em adoração (cfr. Dt 26,10) diante de Cristo Ressuscitado.

2)

É diante de Cristo Ressuscitado – Jesus e Senhor - que se renovará a nossa profissão de fé: “crer que Deus o ressuscitou dos mortos” (Rm 10,9) para ter aquela liberdade de espírito pela qual “Todo aquele que nele crer não ficará confundido” (Rm 10,11) e na qual todos – judeus e gregos – somos unidos no mesmo Senhor (cfr. Rm 10,12).

Será uma profissão de fé não limitada ao aspecto formal, mas expressão do nosso ser total, “boca e coração” (Rm 10,8), uma invocação de um nome que é “o Nome do Senhor”, um nome que dá a salvação (Rm 10,13).

3)

Em Jesus, “tentado pelo diabo durante quarenta dias no deserto” (Lc 4,1), temos, certa maneira, especificas "profissões de fé" todas as vezes que Ele invoca a Escritura como resposta que fundamenta a oposição ao diabo: 1) “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem’”; 2) “A Escritura diz: ‘Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Ele servirás”; 3) “A Escritura diz: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’” (Lc 4,4.8.12).

Estas “profissões de fé” de Jesus devem ser as nossas como resposta às tentações do diabo.

Padre Ausilio Chessa

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

HOMILIA QUARTA-FEIRA DE CINZAS

 

Tempo de penitência, tempo de graça e tempo de salvação, assim podemos definir a Quaresma.

A penitência individual e comunitária é uma característica do Povo de Deus, convocado pelo Senhor para retornar –converter - na pratica do amor a Ele e da justiça, como podemos ouvir pelas palavras de Jesus: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).

Penitência individual e comunitária ao mesmo tempo.

Penitência individual para conhecer melhor nós mesmos “em nós mesmos”, na unicidade da Graça que nos é dada pelo amor misericordioso do Pai.

Conhecer melhor nós mesmos “em nós mesmos” a partir daquela luz que nos foi dada sendo criados “à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26ss), verificando se por acaso somos como um candeeiro fumegante ou como aquela imagem não resplandecente no seu fulgor originário, ou pior deturpada na beleza que deve refletir.

Penitência comunitária, bem sabendo que cada pecado individual interessa o Povo de Deus, porque “se um membro sofre, todos os outros membros com ele” (1Cor 12,26) e ao mesmo tempo cada um carrega a responsabilidade dos próprios irmãos, memores das palavras do Senhor: “Onde está teu irmão?” (Gn 4,9), pelas ofensas por nós e a nós infligidas.

Tal responsabilidade pesa sobre os ministros sagrados que, em ordem à salvação, na penitência de todos, devem ser modelo de penitência: «Chorem, postos entre o vestíbulo e o altar, os ministros sagrados do Senhor e digam: “Perdoa, Senhor, a teu povo”» (Jl 2,17).

A penitência nos aproxima ao Senhor que vem ao nosso encontro com a Graça, que “não podemos receber em vão” 2Cor 6,1), porque não podemos resistir à sua força e porque é “o momento favorável, o dia da salvação” (2Cor 6,2).

Jesus nos indica o modo para acolher a Graça pela qual “nos deixamos reconciliar com Deus” (2Cor 5,20): com “a esmola, a oração, o jejum” (Mt 6,2.5.16).

Com a esmola, para poder responder àquela originária pergunta: “Onde está teu irmão?” (Gn 4,9); com a oração para invocar a misericórdia; com o jejum para livrar-nos dos impedimentos materiais que retardam o caminho de conversão.

O silêncio, o escondimento respeito ao clamor do mundo, a serenidade pela “alegria de ser salvos” (Sl 50[51],14) nos conduzem a uma experiência de fé que será plena na Páscoa para a qual nos preparamos.

Padre Ausilio Chessa

sábado, 2 de fevereiro de 2013

HOMILÍA IV DOMINGO TEMPO COMUM

 

Nascemos profetas, consagrados no Batismo por anunciar as “mirabilia Dei”, as maravilhas de Deus, para toda humanidade, segundo o critério indicado pelo profeta Jeremias, animados por aquelas palavras que o Senhor inscreve nos nossos corações: “Não tenhas medo” (Jr 1,17) e certos de não errar quando é contrastada pelos inimigos a verdade que é anunciada, segundo a promessa do Senhor: “não prevalecerão, porque estou contigo para defender-te” (Jr 1,19).

A vocação profética continua ao longo dos séculos, se não com o espírito dos Profetas como revelação da Palavra de Deus, ao menos com o espírito do testemunho: testemunhando a caridade é revelado o amor de Deus e anunciado ao mesmo tempo o Evangelho, que é Evangelho da caridade.

São Paulo (1Cor 12,31-13,13) nos indica um autentico exame de consciência baseado na caridade, desta tendo presente as omissões.

Quando falta a caridade, as outras virtudes (línguas, profecia, benevolência, fé) perdem o sentido e o vigor e a pessoa é reduzida a um nada (cfr 1Cor 13,2).

È a caridade o critério que governa a vida cristã e ao qual nós devemos obedecer tendo presente que é o maior: “um caminho incomparavelmente superior” (1Cor 12,31).

A caridade é uma profecia sempre operante que torna presente Deus realizando plenamente sua vontade e é constitutiva de uma espiritualidade orientada para a verdade: “se regozija com a verdade” (1Cor 13,6) e a misericórdia: “Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo (1Cor 13,7).

Jesus nos mostra qual é o destino do profeta: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem aceito em sua pátria” (Lc 4,24), para significar-nos que não somente o povo de Nazaré, mas também uma parte do povo de Israel o rejeitou como Messias enviado por Deus.

Desta maneira nos prepara, como povo profético, ao saber enfrentar as dificuldades e oposições com o mesmo espírito com o qual Ele as superou e também nós “continuando o nosso caminho” (1Cor 13,30).

Padre Ausilio Chessa

domingo, 27 de janeiro de 2013

Missa de Encerramento do Retiro do Catecumenato Crismal–27/01/2013

Nossos catecúmenos estiveram em retiro durante todo o domingo, e foram acolhidos pela comunidade durante a Missa. Nosso pároco fez uma bela homilia, cujo resumo encontra-se abaixo. Veja as fotos e leia o texto!

 

 

 

HOMILÍA III DOMINGO TEMPO COMUM

Na história dos povos se encontram dias especiais que permanecem impressos na memória porque caracterizam as pessoas e as comunidades dando a elas, na unidade alcançada, uma identidade  indelével.

Exemplo são as Assembléias Constitutivas que fixam o ordenamento de um Estado e nas quais a vontade do povo alcança a máxima expressão.

Assim aconteceu ao Povo de Israel que “escutava com atenção a leitura do livro da Lei” (Ne 8,3) - autêntica Carta Constitucional - e deve decidir sobre o próprio futuro aprovando com “Amém! Amém!” (Ne 8,6), dando assim exemplo de democracia popular exercida em nome de Deus: “Este é um dia consagrado ao Senhor, vosso Deus!” (Ne 8,9).

Neste grande dia no qual “todo o povo chorava ao ouvir as palavras da Lei” (Ne 8,9) - tanta era a comoção - inicia, depois do exílio, a nova história de Israel na qual “a alegria do Senhor será a [vossa] sua força” (Ne 8,10), pela liberdade readquirida, na unidade religiosa que é constitutiva do ser Povo de Deus.

Da unidade do Povo de Israel é fácil entender qual deve ser a unidade do Povo de Deus, segundo a comparação e a relação entre membros e corpo dada por São Paulo: “Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim acontece com Cristo” (1Cor 12,12), até a definição mais compreensível de Povo de Deus: “Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo” (1Cor 12,27). Sâo Pedro Damiani exemplifica este conceito afirmando: "A Igreja é una em todos e toda inteira em cada um de nós".

No inicio do Evangelho de São Lucas temos delineado o Povo de Deus que Jesus, anunciando a Boa-nova, constitui iniciando a própria missão em Nazaré: pobres, cativos, cegos, oprimidos.

É este Povo de Deus que ao longo dos séculos continua na Igreja a manifestar o rosto de Jesus dando pleno cumprimento às profecias e conduzindo-nos ao Mistério de Cristo.

Padre Ausilio Chessa

domingo, 13 de janeiro de 2013

HOMILÍA BATISMO DO SENHOR

 

No batismo ao rio Jordão Jesus aceitando o batismo de penitência de João Batista, mesmo não sendo pecador, solidariza com toda a humanidade pecadora penitente na espera do Messias.

È o primeiro sinal da salvação próxima, é o inicio do olhar misericordioso aos pecadores, agora indistintos, e sucessivamente sempre mais redimidos no encontro pessoal, para significar que a salvação de um não é de menos que a salvação de todos e sempre dada para que possa alcançar a todos e todos possam encontrá-Lo na salvação de um.

È na misericórdia que Jesus é “centro de aliança do povo, luz das nações” (Is 42,6) para que todos possam encontrar nEle esperança: “Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega” (Is 42,3) e “não faz distinção entre as pessoas” (At 10,34).

Em Jesus que recebe o batismo a Encarnação do Verbo unigênito de Deus inicia a assumir o significado mais humano e compreensível: o Mistério tanto inaccessível se torna próximo àqueles que por causa do pecado eram – e são – longínquos.

A estes é dada a graça de poder ouvir a voz dirigida ao Cristo: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer” (Lc 3,22), a mesma voz que ouvimos quando arrependidos recebemos o perdão.

Padre Ausilio Chessa

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

HOMILÍA SOLENIDADE DA SANTA MÃE DE DEUS, MARIA

1)
 
A dimensão universal e cósmica do Natal do Senhor Jesus se estende no tempo e no espaço: de forma litúrgica com particular intensidade com a Oitava do Natal e de forma especificadamente espiritual abrindo o ano civil o primeiro de Janeiro com a Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria.

É com o inicio do ano civil que se dá uma continuidade histórica ao Natal, colocando Aquela que depois de Jesus é dominante nos acontecimentos de Belém: a Virgem Maria, que por ter gerado Jesus Filho Unigênito de Deus é Mãe de Deus.

Tanta é a relevância da Virgem Maria que o Sacramentário Gelasiano do final do século V nos apresenta um Prefacio eucarístico denso de estupor diante do Mistério celebrado:

“Celebrando a Oitava de Natal, celebramos as tuas maravilhas, Senhor.

Aquela que dá à luz é mãe e Virgem;

Aquele que nasceu é menino e Deus.

Os céus falaram.

Os anjos se alegraram.

Os pastores exultaram.

Os magos se encaminharam.

Os reis foram turbados.

Os inocentes foram coroados de uma gloriosa paixão.

Amamenta, ó mãe o nosso alimento,

amamenta o pão que vem do céu,

no presépio colocado,

como o alimento dos animais.

É lá que o boi reconheceu seu proprietário

E o burro o presépio do seu Senhor,

o boi e o burro, ou seja, a circuncisão (os hebreus) e o prepúcio (os pagãos).

Tudo o que o nosso Salvador e Senhor,

Si dignou de cumprí-lo em plenitude

Em quanto foi recebido por Simeão no templo”.

 

2)
 
Do Mistério que celebramos não podemos tirar a Virgem Maria pela simples razão que Ela é a Mãe de Deus e nossa Mãe na ordem da Graça.

Num mundo que experimenta de várias maneiras as crises de valores que nos tornam “órfãos”, Maria é a resposta do Senhor a quantos vivem uma “orfandade” espiritual e existencial: Ela em quanto Mãe de Deus nos é dada como mãe na ordem da Graça para enriquecer-nos da graça que nos torna seus filhos, aquela Graça perdida e recusada com o pecado das origens.

Certa maneira, em Maria Mãe de Deus nos é dado experimentar de forma mais ampla a benção de Aarão e a paz, porque destas temos a plenitude em Cristo.

Maria é o primeiro sinal, a aurora da plenitude dos tempos (cfr. Gl 4,4), Ela que antecipa o “Sol resplandecente que nos veio visitar” (Lc 1,78).

Maria é a criatura que mais penetrou o mistério da plenitude dos tempos porque gerando o Verbo eterno mais era próxima do mesmo mistério e, sobretudo, porque “guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração” (Lc 2,19).

Maria ensina-nos a guardar e meditar em nossos corações sobre os fatos que tu viveste para poder anunciar e construir a paz que teu Filho nos dá, Ele que é o “Príncipe da paz”.

Padre Ausilio Chessa

O ser nossa mãe suscita em nós não somente sentimentos de devoção e veneração mas também a certeza que a sua presença é sempre presença de  mãe, presença que não podemos impedir.

A maternidade da Virgem Maria é o caminho certo para acolher Jesus na sua natureza humana e o caminho certo, pela anunciação do anjo Gabriel, para acolher Jesus na sua natureza divina.

HOMILÍA FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ

 

1)

Quanto nos é dado de ler no Livro do Eclesiástico (3,3-7.14-17a) pode ser considerado uma explicitação do IV Mandamento, que é o Mandamento da família, sendo posto por Deus para tutelar e defender a dignidade e a integridade da mesma.

O Livro do Eclesiástico nos propõe os frutos dados aos filhos pela honra e o respeito tributados aos pais: o perdão dos pecados, serem ouvidos na oração, ter alegria e vida longa (cfr. Eclo 3,4-7).

Assistência material: “amparar o teu pai na velhice” (3,14) e espiritual: “ser compreensivo para com ele” (3,15), unida à caridade: “não o humilhes, em nenhum dos dias da sua vida” (3,15) são as coordenadas da santidade pela caridade praticada : “na justiça, será para tua edificação” (3,17a).

Segundo o Eclesiàstico, se pode concluir que a família é uma escola de santidade.

2)

Também a Carta aos Colossenses fornece preciosas indicações para praticar as virtudes necessárias na família: “sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência” (Col 3,12), fundamentadas na suportação, no perdão, na “caridade, vinculo de perfeição” Col 3,14), o tudo bem orientado pela “palavra de Cristo, com toda a sua riqueza” (Col 3,16).

Na família a Palavra e a Caridade não podem faltar, são constitutivas da solicitude das esposas para os maridos, do amor-ternura destes para elas, da obediência dos filhos, do exercício da autoridade dos pais baseado na compreensão que encoraja os filhos mais do que impedir o entusiasmo deles: “para que não desanimem” (Col 3,21).

O exercício da autoridade não é uma mera aplicação de um direito, mas um dever que une a devida responsabilidade sobre a pessoa objeto da autoridade: o bem da pessoa é a finalidade desta autoridade, que por si mesma é um ajudar os outros (Latim: Augeo-augere=fazer crescer), especifica função-ministério dos pais.

Na reflexão que Cicero faz sobre a família usando o termo "pietas" (piedade), é interessante notar que os pagãos consideram a "pietas" ato de justiça para com os deuses, dever (officium) e cura (cultus) dos consanguineos, para ser "pietas máxima" para com a Patria.

A família, neste aspecto, é a ponte necessária entre a divindade e o Estado, assumindo uma função de primeiro nível.

Uma piedade pré-cristã se pode encontrar em Virgilio que na obra Eneide nos mostra Eneas que cuida seja do filho Ascanio, seja do pai Anquise.

3)

A Sagrada Família é o modelo máximo para as famílias por ser fiel a Deus e à Lei, cumprindo o preceito da Páscoa na peregrinação para Jerusalém com Jesus.

A obediência de Jesus aos pais caminha com a obediência ao Pai: “Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” (Lc 2,49), de tal maneira que é modelo para nós: obedecer ao Pai do céu em primeiro lugar e, conseqüentemente, aos nossos pais na terra: “E era-lhes obediente” (Lc 2,51).

Maria é modelo por todas as mães que vivem angustiadas a causa de seus filhos, dos quais querem conhecer os motivos do comportamento.

A Virgem Maria é modelo por todas as mães no receber a obediência dos filhos e no guardar nos seus corações confiantes a esperança para a conversão dos filhos, para que possam, como Jesus, “crescer em sabedoria, estatura e graça” (Lc 2,52).

A Igreja coloca a família como modelo na ordem da Criaçao e a família cristã oferece uma revelaçao e uma realizaçao especifica da comunhao eclesial; também por este motivo, pode e deve ser chamada "Igreja domestica" (Familiaris Consortio,21; Lumen Gentium, 11)

A família não pode ser relativizada, porque de todas as instituições da sociedade é aquela na qual convergem todas as razões de ser da convivência civil e porque nela surgem os princípios que orientam para o bem comum.

A tutela da família na sua dignidade especifica é própria da Igreja e do Estado e as Instituições devem garantir a ela uma presença e uma participação não meramente formal mas real, para contribuir não somente ao bem comum mas também a quanto faz parte das legitimas aspirações das pessoas e do povo.

Padre Ausilio Chessa

HOMILÍA DO NATAL DO SENHOR – MISSA DO DIA

 

A essência da salvação anunciada a Sião é dada numa mensagem que manifesta a presença definitiva do Senhor: “Reina o teu Deus!” (Is 52,7) e “todos os confins da terra hão de ver a salvação que vem do nosso Deus” (Is 52,10), prelúdio ao instaurar-se do Reino de Deus com o Menino Jesus que nasce em Belém.

O importante na Profecia de Isaias é o fato que a presença do Senhor será constatada, documentada por testemunhas oculares: “Verão com os próprios olhos o Senhor voltar a Sião” (Is 52,8), como depois confirma solenemente São João: “E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho unigênito, cheio de graça e verdade” (Jo 1,14).
Lá em Belém muitas foram as testemunhas oculares de tão grande acontecimento, das quais mais do que o nome conhecemos a humildade - por ser  pastores - e a fé.
Para nós é suficiente saber que elas são as primeiras testemunhas de Cristo Verbo Encarnado. 

No Natal do Senhor celebramos, no Mistério da Encarnação, além do dado de Fé, uma verdade histórica que nos acompanha ao longo dos séculos, marcando o tempo e a História, estabelecendo a “plenitude dos tempos” no sentido mais profundo, fixando o que é “antes de Cristo” e o que é “depois de Cristo”.

A História, de fato, é em função de Cristo, ao serviço de Cristo.

Aquele que o Pai nos envia é realmente o Senhor do tempo e da História porque “sustenta o universo com o poder de sua palavra” (Hb 1,3) e a Quem todos são sujeitos, incluindo os anjos: “Todos os anjos devem adorá-Lo” (Hb 1,6).

Ele que é o Senhor do tempo e da História é tal porque já “No principio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus” (Jo 1,1).

A Palavra que se fez carne e habitou entre nós – Jesus Cristo – nos permite de ser admitidos ao Mistério de Deus não por um conhecimento ou um esforço pessoal, mas por uma participação do mesmo Mistério pela Fé, dando-nos a “capacidade de tornar-nos filhos de Deus” (Jo 1,12), concedendo-nos de ver realizado o máximo desejo do homem: ver a Deus.

“A Deus, ninguém jamais viu: o Filho Unigênito, que é Deus e que está na intimidade do Pai, Ele o revelou” (Jo 1,18).

O Natal, encontro do Mistério de Deus com o Mistério do homem, é a revelação do Filho pelo Pai e também a revelação do Pai pelo Filho.

Padre Ausilio Chessa

HOMILÍA DO NATAL DO SENHOR

 

1)

Deus, que é Luz eterna resplandecente nos corações e nas mentes, revela-se como luz que ilumina o mundo enviando o próprio Filho Unigênito , “Sol nascente para guiar-nos no caminho da paz” (Lc 1,78.79).

O nascimento de Jesus não pode passar inobservado, é a luz que separa as trevas, da mesma maneira com a qual a treva é separada da Palavra criadora: “Exista a luz” (Gn 1,3).

A poderosa representação dada pelo Profeta Isaias evoca a Palavra criadora nos acontecimentos que acompanham o Povo de Deus, que pode ver o nascimento de um rei libertador descendente da casa de Davi: “nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho” (Is 9,5), prefiguração dos tempos messiânicos inaugurados por Jesus Cristo.

De fato, ao Salvador da humanidade serão apropriados os títulos dados ao descendente de Davi:

“Conselheiro admirável”, porque transmite a vontade do Pai;

“Deus forte”, porque a sua força será a graça salvífica;

“Pai para sempre”, porque Senhor do tempo e da história;

“Príncipe da paz”, porque somente Ele pode dar a verdadeira paz.

2)

Com Cristo a humanidade, na sua conformação de povos e nações, recebe quanto lhe faltava: “A graça de Deus se manifestou, trazendo salvação para todos os povos” (Tt 2,11) e recebe

a dignidade de “povo que lhe pertence” (Tt 2,14).

Desta graça e dignidade descende a regra de vida cristã que comporta “equilíbrio, justiça e piedade” (Tt 2,12), coordenadas para a santidade:

Equilíbrio, como sabedoria e discernimento na procura e na pratica dos valores humanos e espirituais;

Justiça, como exercício das virtudes que nos possam conformar ao Deus Justo e Santo, comunicando e participando-la àqueles que são sedentos de justiça;

Piedade, como atitude e regra di vida pela qual honrar a Deus (virtude de religião), a família e a pátria (cfr. São Tomás de Aquino,Suma Th., II-II, 101) são constitutivos da pessoa e a maior razão de ser do cristão.

3)

É esta piedade que nos ensina o Menino Jesus em Belém – e depois a longo da sua missão – para que possamos informar a vida social de relações mais humanas, considerando todos como irmãos e irmãs.

É esta piedade-virtude de religião o primeiro sentimento que nos acompanha na gruta de Belém.

Somos constitutivamente piedosos e religiosos, por ser criados “à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26ss).

Lá em Belém nos associamos à piedade dos pastores e ao coro dos anjos que cantam “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados” (Lc 2,14) e participar com eles ao esplendor do amor de Deus que se revela dando-nos o único Presente que nos enriquece e nos torna felizes: o Filho Unigênito, Jesus Salvador da humanidade.

Padre Ausilio Chessa

domingo, 16 de dezembro de 2012

HOMILÍA III DOMINGO DO ADVENTO ANO C

 

1)

A mensagem da salvação dada por Deus traz consigo a alegria para aqueles que procuram e querem salvar-se.

È a alegria da qual nos fala o profeta Sofonias: “Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel!” (Sf 3,14).

Todas as vezes que a salvação é próxima, a exortação è: “Cantai ao Senhor um cântico novo” (Sl 149,1) e Deus participa da alegria do povo: “Ele exultará de alegria por ti, movido por amor” (Sf 3,17).

A alegria dos redimidos é a direta conseqüência da Graça, é o manifestar-se da presença de Deus com o seu Povo: “Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque è grande em vosso meio o Deus Santo de Israel” (Is 12,6).

A alegria cristã é típica também do tempo do Advento, como nos ensina São Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. O Senhor está próximo!” (Fl 4, 4.5).

È a alegria que nos acompanha quando olhamos para as realidades futuras e as desejamos intensamente sabendo que encontraremos a felicidade, da qual com a mesma alegria desde já temos uma prefiguração.

È a alegria da qual nos fala São Paulo: “Alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração” (Rm 12,12).

2)

Também no Evangelho de São Lucas quando “João anunciava a Boa Nova” (Lc 3,18) temos a alegria cristã, e ao mesmo tempo a preocupação cristã que a antecede e a prepara e que acompanha o espírito decidido com o qual “As multidões perguntavam a João: «Que devemos fazer?”»” (Lc 3,10).

Também nós com o mesmo espírito neste Advento nos devemos preparar, segundo as palavras de João Batista, para uma revisão geral de vida e conversão baseada:

1) na caridade: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo” (Lc 3,11);

2) na justiça: “Não cobreis mais do que foi estabelecido” (Lc 3,13;

3) na paz: “Não tomeis à força dinheiro de ninguém” (Lc 3,14);

4) na verdade: “Não façais falsas acusações” (Lc 3,14);

5) na humildade: “Ficais satisfeitos com o vosso salário!” (Lc 3,14).

Desta maneira, esperando o Messias, podemos dar frutos para ser “trigo no celeiro” (Lc 3,17), o celeiro da vida e da glória eterna.

Padre Ausilio Chessa

domingo, 9 de dezembro de 2012

HOMILÍA II DOMINGO DE ADVENTO ANO C

 

A História humana intersecta a História da Salvação, os poderosos são uma referência cronológica – mesmo não necessária - para marcar melhor o tempo no qual o Todo Poderoso torna mais próxima a salvação, quando “a palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto” (Lc 3,2).

O Todo Poderoso se torna humilde para fazer ressoar a própria palavra, para realizar a “plenitude do tempo” (Gl 4,4) à qual deverão submeter-se os poderosos do mundo, de tal maneira que a História da Salvação caracterize a História humana.

È o estilo de Deus que escolhe uma humilde mulher para que possa gerar o Salvador da humanidade, que nasce na pobreza da gruta de Belém e em igual pobreza vive em Nazareth, para depois morrer na desolação do Calvário.

Mesmo estilo para anunciar a salvação: não uma imposição, mas um chamado para acolher livremente o tempo de graça, “preparando o caminho” (Lc 3,4) para o Salvador.

È na própria humildade que Deus mostrará o esplendor de Jerusalém (cf. Bar 5,3), esplendor para a humanidade receber a graça do Salvador na “plenitude do tempo”, pela qual somos capacitados a ser “puros e sem defeito para o dia de Cristo” (Fl 1,10).

Se a humildade do Senhor se torna visível em Maria, a mesma humildade será visível em João que prega o batismo de conversão, para suscitar a humildade do arrependimento nos pecadores.

È a nossa humildade (cf Lc 3,4-6):

“preparando o caminho do Senhor”: com a vontade sincera de acolhe-Lo;

“endireitando suas veredas”: assumindo a verdade como principio para encontrá-Lo;

“aterrando todo vale”: cobrindo com a sua misericórdia as nossas misérias;

“rebaixando toda montanha e colina”: cortando todo orgulho e exaltação humana;

“tornando retas as passagens tortuosas e aplainados os caminhos acidentados”: corrigindo os nossos critérios humanos e nossa vontade e subordinando-los aos critérios do Senhor, à sua vontade.

Padre Ausilio Chessa

HOMILÍA SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA

 

1)

À humanidade é dada a graça de poder conhecer Deus que se revela e envia o próprio Filho Unigênito Cristo Jesus com o dom do Espírito Santo.

É-nos dada outra graça, de conhecer a Virgem Maria que, por ter gerado Jesus pelo poder do Espírito Santo, chamamos e é realmente Mãe de Deus.

A este título, único na  história, associamos outro título único também: Imaculada Conceição, por ser Ela concebida sem pecado original e isente de todo outro pecado, em previsão dos meritos de Cristo.
 

    O Concilio Vaticano II nos apresenta a função da mãe do Salvador na economia da salvação afirmando que "Ela distingue-se entre aqueles humildes e aqueles pobres do Senhor que com confiança esperam e recebem por ele a salvação. E em fim com ela (...) instaura-se a nova 'economia'" (Lumen Gentium, 55).


À humanidade pecadora é dada uma graça especial, de ter uma criatura, isente de pecado, que alivia a ignomínia do pecado original porque chamada a ser a mãe do Senhor Jesus, abrindo o caminho para a salvação que nos será dada pelo Filho, que nos resgatará totalmente do pecado original.

O Concilio Vaticano II coloca Maria na economia salvifica afirmando: "Justamente por isso os santos Padres consideram que Maria  não foi instrumento meramente passivo nas mãos de Deus, mas que cooperou para a salvação do homem com livre fé e obediência"(Lumen Gentium, 56).
 

    O Povo de Deus celebra Maria por esta graça única por Ela recebida, e pela plenitude da Graça que somente a Ela é dada como nos é revelado pelas palavras do anjo Gabriel: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lc 1,28).


Pelo sensus fidei – o sentido da fé – e a graça do Espírito Santo, que garante contra o erro e o afasta, o Povo de Deus desde o inicio proclamou que Maria é concebida sem pecado original e é a Imaculada Conceição, como indiretamente é confirmado pelas palavras do anjo Gabriel.

È pela fé do Povo de Deus e pela Palavra que nos é revelada em Gêneses 3,15:
 
“Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”,
que a Igreja celebra a Virgem Maria como a Imaculada Conceição, dando, pelo dogma proclamado pelo papa Beato Pio IX no dia 8 de dezembro do ano 1854, a confirmação de quanto nos séculos era considerado verdadeiro e digno de ser professado como fé.
 
Os santos Padres com a própria doutrina confirmam quanto a fé do Povo de Deus proclama, como bem escreve santo Irineu que Maria

    "com a sua obediência se tornou causa de salvação par si e para todo o gênero humano" e "o nó da desobediência de Eva teve sua solução com a obediência de Maria; o que a virgem Eva ligou com a sua incredulidade, a virgem Maria desligou com a sua fé" (Adv. Haer. III, 22,4: PG 7,959).

 

    

    


 

2)

 

O que nós experimentamos pela fé no dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora é a santidade da Mãe de Jesus que deve refletir-se na nossa santidade.

A Imaculada Conceição de Nossa Senhora explica por sua vez o concebimento virginal de Maria que conceberá e dará a luz um filho ao qual será dado o nome de Jesus (cf. Lc 1,31).

Um corpo totalmente isente de pecado gerará pelo poder do Espírito Santo o corpo sem pecado de Jesus, porque não era admissível que um corpo manchado do pecado original gerasse um corpo sem pecado.

Na Imaculada Conceição de Maria a humanidade encontra a própria condição originária sem pecado, a inocência que é o supremo desejo humano, a beleza da Criação e da criatura em particular e ter desta maneira um modelo para a santidade.

3)

Celebrando a Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhor é necessário refletir sobre a nossa espiritualidade, na qual deve ser presente a Virgem Maria.

Considerada a primazia de uma espiritualidade fundamentada na Sagrada Escritura e na Liturgia, não pode ser considerada secundária uma espiritualidade orientada para a Virgem Maria en quanto Mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, Mãe de Deus e nossa mãe.

O Card. Martini, na epoca arcebispo de Milão, falando aos presbiteros ambrosianos sobre os perigos de "apagar os impetos do coração" - "gli slanci del cuore" - próprios da devoção a Maria, indicava a exigência de uma espiritualidade mariana, dos "impetos afetuosos da oração, que plenificam a vida" (Da quel momento La prese con sé, Editora Ancora).

4)

Celebrando a Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, é oportuno lembrar as aparições da Virgem Maria a Santa Bernadette, quando responde não dizendo: "Eu sou uma concebida sem pecado", mas afirmando: "Eu sou a Imaculada Conceição".

 

Desta maneira a Virgem Maria confirma a unicidade do privilegio e da graça recebida, por não ter a mancha do pecado original (cfr. Crosignani G. C.M., Io sono l´Immacolata Concezione, in "Divus Thomas" (PL) 57 (1954), p. 419).

Podemos ver nas palavras da Virgem Maria: "Eu sou a Imaculada Conceição", o absoluto, a nível humano, de quanto uma criatura possa afirmar de si mesma em relação a uma graça que lhe é dada.

Este absoluto, único numa criatura, feitas as devidas comparações, encontramos somente em Deus quando se revela: "Deus disse a Moisés: "Sou o que sou". Assim dirás aos israelitas: "Eu sou" me envia a vós" (Ex 3,14) e em Jesus quando responde a Pilatos: "Tu o dizes: eu sou rei" (Jo 18,37).

Padre Ausilio Chessa    

 
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