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sábado, 22 de dezembro de 2012

NATAL REFLEXO DO MISTÉRIO TRINITÁRIO

 

"A Trindade é a nossa família, na qual queremos estar por toda a eternidade..."

O Mistério da Santíssima Trindade é necessário para amar a Deus e aos irmãos e a Deus que se revela de uma forma semelhante a nos com o Filho Unigênito manifestamos nosso amor ajoelhando-nos em adoração diante do Menino Jesus que nasce em Belém.

É esta adoração-amor que nos aproxima ao Mistério que celebramos no Natal mais de quanto possamos pensar. Somos chamados, somos admitidos a estar com a nossa humanidade diante do Filho eterno que assume a natureza humana excluído o pecado, para resplender da glória perdida com o pecado original.

Com este pecado era-nos quase impedido de falar de Deus se não como desejo de salvação e nostalgia da graça perdida.

Com o Natal é possível falar do Senhor da História e do tempo, falando do seu Amor, que é a sua mesma Vida, que contemplamos no Menino Jesus.

Adorando o Menino Jesus já contemplamos o Amor de Deus Pai, de Deus Filho e de Deus Espírito Santo, um só Deus em três Pessoas, o realizar-se d´Aquele que "será chamado Filho do Altissimo" (Lc 1,32), "chamado Filho de Deus" (Lc 1,35), porque "o Espírito Santo virá sobre ti" (Lc 1,35).

Este Amor nos é dado na bondade comunicada aos nossos corações por Deus Criador, na obra da redenção de Deus Filho, na santificação do Espírito Santo.

Nós participamos na vida trinitária não só a nível individual, mas como filhos que, de originariamente dispersos, se tornam Povo reunido em unidade (cfr. Conc. Vat. II Ad Gentes 2 e Jo 11,52).

As multidões que acorrem para adorar Jesus são o novo Povo de Deus, a Igreja que inicia a própria peregrinação para encontrar o Senhor.

Lá em Belém nasce a primeira Igreja domestica: Jesus, Maria e José, a Igreja divina e humana ao mesmo tempo

Lá estão as fontes da nossa identidade de pessoas e de Povo de Deus;  enriquecidos pelo fato de ter em origem uma família constituída e gerada pelo amor. É por esta identidade e por este amor que é possível ser Povo.

A Trindade é a nossa família, na qual queremos estar por toda a eternidade e por esta razão queremos torná-La presente desde agora nas nossas famílias, para que façam experiência do Amor trinitário.

Padre Ausilio Chessa

A SANTISSIMA TRINDADE

O Mistério

“O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, é a luz que os ilumina”

(Catecismo da Igreja Católica [CIC] 234).

“Os Padres da Igreja distinguem entre a “Theologia” e a “Oikonomia”, designando com o primeiro termo o mistério da vida íntima do Deus-Trindade e com o segundo todas as obras de Deus por meio das quais Ele se revela e comunica a sua vida...As obras de Deus revelam quem Ele é em si mesmo e, inversamente, o mistério do seu Ser íntimo ilumina a compreensão de todas as sua obras (CIC 236).

1) A Trindade é um mistério que não pode ser conhecido sem uma revelação, e mesmo com esta não pode ser penetrado interiormente pelo nosso intelecto.

2) Tratando este mistério, o silencio deve prevalecer sobre as palavras: “Deus se honra com o silencio não porque por nada se fale ou se indague dEle, mas porque somos cientes da nossa desproporção para entender Ele” (São Tomas de Aquino). A adoração deve prevalecer sobre a especulação.

3) O Apostolo S. Paulo na carta aos Romanos (11,33-36) escreve: “Que abismo de riqueza, sabedoria e ciência de Deus! Quão insondáveis suas decisões, quão impenetráveis seus caminhos! Quem conhece a mente de Deus? Quem foi seu conselheiro? Quem lhe deu primeiro para receber em troca? A partir dEle, por Ele, para Ele tudo existe. A Ele a glória pelos séculos. Amém!”

4) A incomensurabilidade de Deus não determina uma separação entre Deus e homem. Mesmo com a primazia da adoração sobre a especulação, a razão é chamada pela fé á uma pesquisa, é o “intelecto da fé” (fides quaerens intellectum).

5) O mistério por si mesmo não comporta a negação da razão humana, ao contrario comporta uma adequação da inteligência, capacita o conhecimento.

6) Pela fé o mistério não comporta um Deus afastado mas revelado e próximo de nós na sua relação mais compreensível, na Paixão e Morte de Jesus: “Deus é amor” (1Jo 4,8).

Santíssima Trindade e Igreja

A) O Concilio Vaticano II nos dá um conceito de Igreja “trinitária”, ou seja povo de Deus reunido na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ela manifesta no mundo, atuando na história, a vida trinitária (missões) cumprindo com a própria presença e missão o plano de Deus Pai.

B) A Igreja é “ícone da Trindade”, mostra ao mundo o rosto de Deus Trindade e testemunha o amor trinitário, ou seja, católica na comunhão universal ou seja católica

C) O Concilio Vaticano II afirma: “A Igreja une oração e trabalho, para que o mundo inteiro em todo seu ser seja transformado em povo de Deus, em corpo místico de Cristo e templo do Espírito Santo, e em Cristo, centro de todas as coisas, seja dada toda honra e gloria ao Criador e Pai do universo” (Lumen Gentium, 17).

D) A história humana – na qual opera o mistério de Deus – é história “trinitaria” porque relacionada com a morte e ressurreição do Filho do Pai, doador do Espírito, que dirigiu o senso da história para o amor de Deus.

E) As duas confissões trinitarias: 1) Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e 2) Gloria ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo estabelecem: 1) Tudo vem do Pai pelo Filho no Espírito e 2) Tudo, no mesmo Espírito, pelo Filho volta ao Pai. Desta forma e estrutura é feita a nossa liturgia, que assim aparece mais compreensível.

F) Além da liturgia, a mesma Igreja segue o mesmo esquema: vem da Trindade, vá para ela e é estruturada a sua imagem. A sua unidade no tempo é dada pela apostolicidade, e no espaço pela catolicidade. Desta maneira ressalta demais a afirmação de S. Cipriano “Povo adunado pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

Padre Ausilio Chessa

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A esperança de Maria nos conduz ao Natal

 

Da fé nasce esperança, assim podemos deduzir das palavras da Virgem Maria ao anjo Gabriel: “Eis aqui a serva do Senhor, aconteça para mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).

Desta humilde profissão de fé brota a esperança que é também certeza: “Pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor” (Lc 1,49), é a esperança que conduz na aldeia de Belém, ao nascimento de Jesus, ao realizar-se das promessas de Deus.

Do silêncio grávido do Mistério em Nazaré, que já contém a Palavra escondida e “silenciosa”, ao silêncio de Belém no qual ressoa a Palavra que se revela à humanidade no vagido tanto humilde e grande ao mesmo tempo do Filho de Deus, a Virgem Maria cumpre o mandamento do amor “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a alma, com toda a mente” (Mt 22,37) de uma forma única e perfeita entre as criaturas, mesmo que a plenitude se realize no céu (cf. S. Tomás de Aquino, S. Th. II,II, 9,24), porque amou a Deus do modo mais perfeito possível (cf. Santo Alberto Magno).

Em Maria a esperança não é inércia, mas participação plena aos desígnios de Deus e caridade ao mesmo tempo, visitando Isabel.

O amor da Virgem Maria que nos é dado de contemplar no Natal, como afirmam os grandes Padres, se explica desta maneira: os anjos e santos amam como servos, Maria ama como mãe, Ela que é a Mãe de Deus.

Este amor é fruto da plenitude da Graça, Ela que é a “cheia de graça” (Lc 1,28), como afirma Santo Alberto Magno: “Ubi est maior púritas, ibi major charitas”, “Onde é maior a pureza, lá é maior a caridade”.

Padre Ausilio Chessa

domingo, 9 de dezembro de 2012

HOMILÍA II DOMINGO DE ADVENTO ANO C

 

A História humana intersecta a História da Salvação, os poderosos são uma referência cronológica – mesmo não necessária - para marcar melhor o tempo no qual o Todo Poderoso torna mais próxima a salvação, quando “a palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto” (Lc 3,2).

O Todo Poderoso se torna humilde para fazer ressoar a própria palavra, para realizar a “plenitude do tempo” (Gl 4,4) à qual deverão submeter-se os poderosos do mundo, de tal maneira que a História da Salvação caracterize a História humana.

È o estilo de Deus que escolhe uma humilde mulher para que possa gerar o Salvador da humanidade, que nasce na pobreza da gruta de Belém e em igual pobreza vive em Nazareth, para depois morrer na desolação do Calvário.

Mesmo estilo para anunciar a salvação: não uma imposição, mas um chamado para acolher livremente o tempo de graça, “preparando o caminho” (Lc 3,4) para o Salvador.

È na própria humildade que Deus mostrará o esplendor de Jerusalém (cf. Bar 5,3), esplendor para a humanidade receber a graça do Salvador na “plenitude do tempo”, pela qual somos capacitados a ser “puros e sem defeito para o dia de Cristo” (Fl 1,10).

Se a humildade do Senhor se torna visível em Maria, a mesma humildade será visível em João que prega o batismo de conversão, para suscitar a humildade do arrependimento nos pecadores.

È a nossa humildade (cf Lc 3,4-6):

“preparando o caminho do Senhor”: com a vontade sincera de acolhe-Lo;

“endireitando suas veredas”: assumindo a verdade como principio para encontrá-Lo;

“aterrando todo vale”: cobrindo com a sua misericórdia as nossas misérias;

“rebaixando toda montanha e colina”: cortando todo orgulho e exaltação humana;

“tornando retas as passagens tortuosas e aplainados os caminhos acidentados”: corrigindo os nossos critérios humanos e nossa vontade e subordinando-los aos critérios do Senhor, à sua vontade.

Padre Ausilio Chessa

domingo, 2 de dezembro de 2012

HOMILÍA I DOMINGO DE ADVENTO – ANO C

1)

É a História o campo no qual nós podemos experimentar no tempo a ação de Deus, Senhor do tempo e da História.

Na História o tempo último – os últimos tempos – é dominado pelo dia do Senhor, dia no qual é tirado cada poder ao homem e todo poder é dado ao Filho do Homem, para encerrar a História e abrir o tempo definitivo julgando as nações.

No horizonte dos últimos tempos as promessas messiânicas assumem uma relevância escatológica de restauração do poder de Deus obnubilado pelo povo, dando a devida primazia à lei e à justiça.

O Senhor realizará para nós as suas promessas: “Naqueles dias, naquele tempo, farei brotar de Davi a semente da justiça que fará valer a lei e a justiça na terra” (Jr 33,15).

A lei e a justiça são os bens – meio e fim – dos quais a humanidade precisa continuamente para que a vida de cada um possa ser “humana”.

Uma Lei – os Mandamentos – que possa fornecer os princípios de “humanidade”, para o homem ser sempre “à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26ss).

Uma justiça que torne visível, na visibilidade de Jerusalém, o Deus Justo, “Senhor-nossa-justiça”.

A lei e a justiça são finalizadas para a santidade, que por sua vez é orientada para “o dia da vinda de nosso Senhor Jesus” (1Ts 3,13), o dia do encontro tanto desejado e preparado no amor.

2)

É o amor fraterno o sinal de “uma santidade sem defeito” (1Ts 3,13) pela qual no dia do Senhor poderemos levantar-nos e erguer a cabeça para ser libertados (cf Lc 21,28).

O dia do Senhor, na visão do “Filho do Homem vindo numa nuvem com grande poder e glória” (Lc 21,27) é o dia da libertação porque seremos libertados definitivamente do poder do Maligno que até aos últimos dias nos insidiará com o pecado tentando de afastar-nos do amor de Cristo com as sugestões da “gula” e das “preocupações da vida” (cf Lc 21,34).

É o amor fraterno que deve caracterizar a nossa vigilância: “O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais, a exemplo do amor que temos por vós” (1Ts 3,12).

A vigilância para poder encontrar o Filho do Homem será dada pelo “orar a todo momento” e pelo “ficar em pé” (Lc 21,36), um orar que será uma incessante invocação: “Marán-athá-Vêm Senhor Jesus” e um ficar em pé para que o nosso olhar possa encontrar o olhar do Senhor Jesus para nós.

Padre Ausilio Chessa

 
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