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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

HOMILÍA DO NATAL DO SENHOR – MISSA DO DIA

 

A essência da salvação anunciada a Sião é dada numa mensagem que manifesta a presença definitiva do Senhor: “Reina o teu Deus!” (Is 52,7) e “todos os confins da terra hão de ver a salvação que vem do nosso Deus” (Is 52,10), prelúdio ao instaurar-se do Reino de Deus com o Menino Jesus que nasce em Belém.

O importante na Profecia de Isaias é o fato que a presença do Senhor será constatada, documentada por testemunhas oculares: “Verão com os próprios olhos o Senhor voltar a Sião” (Is 52,8), como depois confirma solenemente São João: “E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho unigênito, cheio de graça e verdade” (Jo 1,14).
Lá em Belém muitas foram as testemunhas oculares de tão grande acontecimento, das quais mais do que o nome conhecemos a humildade - por ser  pastores - e a fé.
Para nós é suficiente saber que elas são as primeiras testemunhas de Cristo Verbo Encarnado. 

No Natal do Senhor celebramos, no Mistério da Encarnação, além do dado de Fé, uma verdade histórica que nos acompanha ao longo dos séculos, marcando o tempo e a História, estabelecendo a “plenitude dos tempos” no sentido mais profundo, fixando o que é “antes de Cristo” e o que é “depois de Cristo”.

A História, de fato, é em função de Cristo, ao serviço de Cristo.

Aquele que o Pai nos envia é realmente o Senhor do tempo e da História porque “sustenta o universo com o poder de sua palavra” (Hb 1,3) e a Quem todos são sujeitos, incluindo os anjos: “Todos os anjos devem adorá-Lo” (Hb 1,6).

Ele que é o Senhor do tempo e da História é tal porque já “No principio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus” (Jo 1,1).

A Palavra que se fez carne e habitou entre nós – Jesus Cristo – nos permite de ser admitidos ao Mistério de Deus não por um conhecimento ou um esforço pessoal, mas por uma participação do mesmo Mistério pela Fé, dando-nos a “capacidade de tornar-nos filhos de Deus” (Jo 1,12), concedendo-nos de ver realizado o máximo desejo do homem: ver a Deus.

“A Deus, ninguém jamais viu: o Filho Unigênito, que é Deus e que está na intimidade do Pai, Ele o revelou” (Jo 1,18).

O Natal, encontro do Mistério de Deus com o Mistério do homem, é a revelação do Filho pelo Pai e também a revelação do Pai pelo Filho.

Padre Ausilio Chessa

HOMILÍA DO NATAL DO SENHOR

 

1)

Deus, que é Luz eterna resplandecente nos corações e nas mentes, revela-se como luz que ilumina o mundo enviando o próprio Filho Unigênito , “Sol nascente para guiar-nos no caminho da paz” (Lc 1,78.79).

O nascimento de Jesus não pode passar inobservado, é a luz que separa as trevas, da mesma maneira com a qual a treva é separada da Palavra criadora: “Exista a luz” (Gn 1,3).

A poderosa representação dada pelo Profeta Isaias evoca a Palavra criadora nos acontecimentos que acompanham o Povo de Deus, que pode ver o nascimento de um rei libertador descendente da casa de Davi: “nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho” (Is 9,5), prefiguração dos tempos messiânicos inaugurados por Jesus Cristo.

De fato, ao Salvador da humanidade serão apropriados os títulos dados ao descendente de Davi:

“Conselheiro admirável”, porque transmite a vontade do Pai;

“Deus forte”, porque a sua força será a graça salvífica;

“Pai para sempre”, porque Senhor do tempo e da história;

“Príncipe da paz”, porque somente Ele pode dar a verdadeira paz.

2)

Com Cristo a humanidade, na sua conformação de povos e nações, recebe quanto lhe faltava: “A graça de Deus se manifestou, trazendo salvação para todos os povos” (Tt 2,11) e recebe

a dignidade de “povo que lhe pertence” (Tt 2,14).

Desta graça e dignidade descende a regra de vida cristã que comporta “equilíbrio, justiça e piedade” (Tt 2,12), coordenadas para a santidade:

Equilíbrio, como sabedoria e discernimento na procura e na pratica dos valores humanos e espirituais;

Justiça, como exercício das virtudes que nos possam conformar ao Deus Justo e Santo, comunicando e participando-la àqueles que são sedentos de justiça;

Piedade, como atitude e regra di vida pela qual honrar a Deus (virtude de religião), a família e a pátria (cfr. São Tomás de Aquino,Suma Th., II-II, 101) são constitutivos da pessoa e a maior razão de ser do cristão.

3)

É esta piedade que nos ensina o Menino Jesus em Belém – e depois a longo da sua missão – para que possamos informar a vida social de relações mais humanas, considerando todos como irmãos e irmãs.

É esta piedade-virtude de religião o primeiro sentimento que nos acompanha na gruta de Belém.

Somos constitutivamente piedosos e religiosos, por ser criados “à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26ss).

Lá em Belém nos associamos à piedade dos pastores e ao coro dos anjos que cantam “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados” (Lc 2,14) e participar com eles ao esplendor do amor de Deus que se revela dando-nos o único Presente que nos enriquece e nos torna felizes: o Filho Unigênito, Jesus Salvador da humanidade.

Padre Ausilio Chessa

É Natal, nasceu o menino Deus!

 

 
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