Mostrando postagens com marcador Catequese. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Catequese. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 1 de maio de 2013

São José Operário: Modelo para o trabalhador

Em 1955, o papa Pio XII instituiu a festa de São José Operário, no dia 1º de Maio - dia em que mundialmente se comemora o trabalho - para ressaltar a nobreza do trabalho, ficando o exemplo de José como aquele a ser seguido por todos os trabalhadores cristãos. Desta forma, o papa homenageia o exemplo de homem laborioso e honesto, fiel à palavra de Deus, obediente e justo.

sjoseoperario

Leão XIII, na encíclica Rerum Novarum, nos lembra que "os operários e os proletários têm como direito especial o de recorrer a São José e procurar imitá-lo. José, de fato de família real, unido em matrimônio com a mais santa e a maior entre todas as mulheres, considerado como o pai do Filho de Deus, não obstante tudo passou a vida a trabalhar e tirar do seu trabalho de artesão tudo o que era necessário ao sustento da família."

Que o exemplo de José nos anime e inspire a santificarmos nossas vidas com nosso trabalho.

Oração do Trabalhador:

Jesus, divino operário e amigo dos operários, volvei vosso olhar benigno sobre o mundo do trabalho. Nós vos apresentamos as necessidades dos que trabalham intelectual, moral e materialmente. Bem sabeis como são duros nossos dias, cheios de canseiras, sofrimentos e explorações.

Vede as nossas penas físicas e morais, repeti o brado do vosso coração: "Tenho dó deste povo." E confortai-nos pelos méritos e intercessão de São José, modelo dos operários e trabalhadores.

Dai-nos a sabedoria, a virtude e o amor que vos alentou nas vossas laboriosas jornadas. Inspirai-nos pensamentos de fé, de paz, de moderação, de economia, a fim de procurarmos com o pão de cada dia, os bens espirituais e o céu. Livrai-nos dos que, com enganos, intentam roubar-nos a fé e a confiança na vossa Providência. Livrai-nos dos exploradores que desconhecem os direitos e a dignidade da pessoa humana. Inspirai leis sociais que estejam de acordo com as encíclicas pontifícias. Fazei que todos entrem nas organizações cristãs do trabalho. Reinem juntas a caridade e a justiça com a sincera colaboração das classes sociais. Convertei os exploradores do operário pobre. Que todos tenham o vigário de Cristo por mestre da única doutrina social que assegura ao operário uma gradual e satisfatória melhoria, e o Reino dos céus, herança dos pobres. Amém.

Fonte: Site “amai-vos”

terça-feira, 23 de abril de 2013

São Jorge: modelo do guerreiro cristão

São Jorge: modelo do guerreiro cristão

Patrono da Cavalaria e dos guerreiros cristãos, o destemido mártir tornou-se um dos santos mais populares da História da Igreja

Luís Carlos Azevedo (in: Revista Catolicismo)

icone-são-jorge

A forma popular pela qual é representado São Jorge, isto é, matando um dragão, como na gravura ao lado, não encontra fundamento real em sua vida. Os gregos começaram a representá-lo assim, de maneira alegórica. O dragão simboliza a idolatria que ele enfrentou com a s armas da Fé, e a donzela que o Santo defende representa a província da qual ele extirpou as heresias.

A ata laudatória dos feitos dos mártires (Passio), que narra a vida de São Jorge, é bem antiga e contém elementos legendários. Segundo sua primeira redação, Jorge era originário da Capadócia (região da atual Turquia), tendo vivido durante o século III na Palestina, onde era tribuno militar.

Na referida Passio consta uma narração da vida do Santo, atribuída a um certo Pasicrate, seu contemporâneo e testemunha ocular de seus feitos.

Conduzido diante do Imperador romano Diocleciano, foi instado a queimar incenso aos ídolos. Tendo-se recusado energicamente a isso, foi torturado e recolhido a um cárcere. Foi constrangido nessa prisão a passar a noite com uma pesada pedra sobre o ventre. Foi favorecido ali com uma visão, em que Deus lhe anunciou uma longa série de torturas, que durariam sete anos. No decurso desse período, seria morto e ressuscitaria três vezes.

Jorge sofreu terríveis martírios, dos quais saiu ileso. Por fim, foi decapitado.

Em torno desse núcleo de fatos relatados na Passio originária, constituiu-se uma rica legenda, na qual figuram declarações e atitudes do glorioso mártir em face de seus perseguidores. Passamos a relatar algumas dessas tradições, pois elas revelam como a devoção dos fiéis, através dos séculos, foi modelando a figura magnífica de um dos santos mais populares da hagiografia, tanto da Igreja do Oriente quanto do Ocidente.

São Jorge, cuja festa litúrgica comemora-se a 23 de abril, era ainda criança quando perdeu seu pai, oficial do exército imperial, morto em combate. Sua mãe levou-o então para a Palestina, de onde era originária, e onde possuía muitos bens, educando-o com todo o esmero requerido pela sua condição.

Ao atingir a adolescência, Jorge entrou para a carreira das armas, por ser a que mais satisfazia à sua natural índole combativa. Em pouco tempo sua personalidade, sua coragem, seu porte, foram notados pelo Imperador Diocleciano (284-305), que o nomeou mestre de campo.

Ignorando ser aquele bravo um cristão, o Imperador romano pensava elevá-lo rapidamente aos primeiros cargos do exército, atraído pelas suas qualidades invulgares.

Testemunho público da Fé católica

Diocleciano era, entretanto, pagão e inimigo ferrenho dos cristãos, e de há muito pretendia extinguir o número crescente deles em seu Império. Com esse intuito convocou o Senado em Nicomédia, fazendo com que dele também participassem representantes seus do Oriente e alguns oficiais de seu exército, figurando entre estes São Jorge.

O corajoso oficial sentiu que a hora tanto desejada de dar testemunho público de sua Fé e derramar o sangue por Nosso Senhor Jesus Cristo chegara. Preparou-se para ela, com orações e penitências, como um soldado que se arma para o combate mais decisivo de sua vida. Herdeiro de rico patrimônio pela morte de sua mãe, vendeu tudo o que tinha, distribuindo o dinheiro obtido como esmolas, e também entre seus escravos, aos quais concedeu liberdade.

Assim despojado de tudo, dirigiu-se para a arena do combate: a sala onde estava reunida a assembléia senatorial.

Diocleciano apresentou durante a reunião seu plano ímpio e cruel de extermínio dos cristãos, sendo aplaudido por todos. No meio dos aplausos, uma voz levanta-se, jovem, vigorosa, resoluta, pedindo a palavra. Surpresos e admirados, todos voltaram-se para o ilustre oficial, que com desembaraço e galhardia dirigiu-se à tribuna, de onde exclamou ardorosamente:

-- "Imperador, e vós, senadores, até quando voltareis vosso cego furor contra os cristãos? Habituados a elaborar as leis que dirigem os povos, dareis um tal exemplo de injustiça, fazendo-as tão iníquas contra inocentes? Forçá-los-eis a seguir uma religião da qual vós mesmos duvidais?"

Estas palavras contundentes deixaram atônita a assembléia. O Imperador, mais espantado e contrafeito do que os outros, ordenou ao Cônsul Magnêncio que respondesse ao Santo:

-- "Quem te deu tal ousadia -- disse Magnêncio -- para te dirigires assim ao nosso Imperador, augusto defensor dos deuses do Império?"

-- "A verdade", respondeu o Santo.

-- "O que é a verdade?"

-- "É Jesus Cristo, meu Senhor, a quem perseguis".

-- "Então és cristão?"

-- "Eu o sou, e é apoiado em Nosso Senhor Jesus Cristo que não temo entrar em vosso meio para dar testemunho da verdade".

A estas palavras -- à semelhança do que ocorrera séculos antes no Sinédrio, quando Nosso Senhor afirmou sua divindade -- um tumulto estabeleceu-se no recinto do Senado, onde muitos, em altos brados, exigiam a morte do Santo.

Coragem e fortaleza nos suplícios

Diocleciano, reconhecendo no intrépido militar a mesma têmpera na qual depositara tantas esperanças e cumulara de favores, tinha também conhecimento de que o Santo era estimado, de maneira especial no exército, devido ao grande valor que demonstrara com tão pouca idade. Em vista disso, temeu que seu exemplo arrastasse outros a segui-lo. Dissimulando então sua ira, tentou convencer São Jorge com promessas e ameaças, para que sacrificasse aos deuses.

O Santo não se deixou seduzir pelas palavras do Imperador. Pelo contrário, incitou-o a abandonar seus ídolos e a cultuar o Deus verdadeiro. Jorge acrescentou ainda que os deuses do Imperador eram demônios habitando matéria vil, os quais ele não temia.

Enfurecido, Diocleciano ordenou que conduzissem o jovem oficial para a prisão e o torturassem até que mudasse de opinião. Durante toda a noite o Santo foi torturado com requintes de crueldade.

No dia seguinte, o Imperador mandou que o levassem à sua presença. Vendo-o tão desfigurado e tão débil, procurou convencê-lo a sacrificar aos ídolos. Tomado de indignação, São Jorge exclamou:

-- "Imperador, não sou tão tíbio que, em virtude de uns tormentos infantis, repudie ao Senhor da vida e da morte".

-- "Eu saberei encontrar suplícios de crianças que te arranquem a vida", redargüiu Diocleciano, dando ordens para que o herói cristão voltasse à prisão.

Na manhã seguinte, mandou atar o resoluto combatente em uma roda toda coberta de pontas de aço, com correias tão apertadas que penetravam na carne.

Essa roda foi suspensa ao ar, e debaixo dela foram colocadas pranchas eriçadas de ferros pontiagudos. A cada volta que a roda dava, o corpo do Santo ia sendo dilacerado ao passar pelas pranchas, pois os ferros penetravam em sua carne, arrancando-lhe pedaços.

"Não temas, Jorge, estou contigo"

Quando Jorge não deu mais sinais de vida, o Imperador, satisfeito, mandou que o deixassem caído ao solo, no meio do próprio sangue, e que fossem todos render graças aos deuses por essa vitória.

Mal Diocleciano se afastou, formou-se no céu, sobre o corpo do mártir, uma enorme e brilhante nuvem, que desprendia raios e ribombos terríveis. A maioria dos que permaneceram no local do suplício ouviu sair de dentro da nuvem uma voz que dizia: "Não temas, Jorge, estou contigo". No mesmo instante o Santo levantou-se, completamente são. Os soldados, surpresos e assustados, correram para o templo, a fim de comunicar ao Imperador o sucedido. São Jorge foi então levado à sua presença.

O ímpio Diocleciano não quis acreditar no que via: "Não é Jorge -- disse ele -- é alguém que se lhe parece, ou um fantasma".

Entre os presentes estavam dois membros do Conselho Imperial, Anatólio e Protoleão, que já tinham certa noção da doutrina cristã. Ao verem o milagre, não se contiveram, exclamando: "O Deus dos cristãos é o único e verdadeiro Deus". O Imperador mandou que os prendessem imediatamente e que, sem o menor julgamento, fossem degolados fora da cidade. A festa destes dois mártires comemora-se juntamente com a de São Jorge. Muitas outras conversões ocorreram diante da evidência do milagre.

Terror dos demônios

Ao ver tantas conversões, Diocleciano, em desespero de causa, quis a todo custo que São Jorge sacrificasse aos deuses. Redobrou as promessas, suplicou, ameaçou. O Santo pediu então ao Imperador que lhe mostrasse os ídolos que ele tanto prezava. Satisfeito, Diocleciano conduziu o Santo para o interior do templo, diante de uma estátua de Apolo. Logo ao aproximar-se dela, Jorge interpelou-a com voz enérgica:

-- "Diga-me: és Deus?"

-- "Não", respondeu a estátua com voz horrível.

-- "Espíritos malignos, anjos rebeldes, condenados pelo verdadeiro Deus ao fogo eterno, como tendes o atrevimento de estar em minha presença, sendo eu servo de Jesus Cristo?"

E dizendo isso, fez o sinal da Cruz. No mesmo instante as estátuas caíram de seus pedestais, espatifando-se no chão, entre os gritos dos sacerdotes e da multidão que lotava o templo, tomados de pânico. Os sacerdotes, então, excitaram o povo à sedição, suplicando ao Imperador que os livrasse, o quanto antes, daquele terrível mago. Diocleciano mandou que levassem Jorge para fora da cidade e o degolassem imediatamente.

De acordo com a Passio, porém, antes de ser executado, o corajoso oficial foi submetido a uma série de tormentos, durante anos. Duas vezes ainda seria morto, retornando à vida. Finalmente, foi degolado.

Glorificação póstuma

Segundo a tradição, servos de São Jorge levaram seu corpo para Dióspolis, onde, alguns anos depois, em virtude da liberdade da Igreja concedida em 313 por Constantino, pelo edito de Milão, foi edificado um santuário em sua honra.

Seu culto espalhou-se imediatamente por todo o Oriente. Só no Egito construíram-se quatro igrejas e quarenta conventos dedicados ao mártir, nos primeiros séculos após sua morte.

Não se sabe como se originou seu culto no Ocidente. Já no século V, nas Gálias, o rei Clóvis dedicou-lhe um mosteiro, e sua esposa, Santa Clotilde, erigiu várias igrejas e conventos em sua honra.

Celeste cruzado

A devoção a São Jorge como o patrono da Cavalaria, durante a Idade Média, foi propagada pelos cruzados, por ter São Jorge aparecido inúmeras vezes ao lado dos soldados da Cruz, durante as batalhas.

Estando os cruzados a caminho de Jerusalém, e passando por Lydda (antiga Dióspolis -- onde o Santo foi sepultado), durante a primeira cruzada empreendida em 1096, lá deixaram um Bispo e padres para rezarem, no altar do Santo mártir, segundo a intenção de que eles conquistassem a Cidade Santa. E, por ocasião do cerco desta, estando a batalha praticamente perdida para os cristãos, São Jorge apareceu a cavalo no Monte das Oliveiras. A visão celeste agitava um escudo e fazia um sinal, incitando os cristãos a entrarem na cidade, o que os levou à vitória.

A Inglaterra foi o país ocidental onde, na Idade Média, a devoção ao Santo teve papel mais saliente. O monarca Eduardo III colocou sob a proteção de São Jorge a Ordem de Cavalaria da Jarreteira, fundada por ele em 1330.

____________________

Fontes de referência:

1. Abbé Profilet, Les Saints Militaires, Rétaux-Bray, Paris, 1890.

2. D. Guéranger, El Año Liturgico, Ediciones Aldecoa, Burgos, 1956.

3. J. F. Michaud, História das Cruzadas, Editora das Américas, São Paulo, 1956.

4. Enciclopedia Cattolica, Città del Vaticano, Vol.VI, 1951.

quinta-feira, 7 de março de 2013

OS SALMOS, A VOZ DA IGREJA

 

“NOS SALMOS, COMO NUM ESPELHO, ENCONTRAMOS O NOSSO ROSTO” (S. ATANASIO).

REALMENTE, NOS SALMOS É PRESENTE A HISTÓRIA DE TODOS NÓS, A NOSSA AUTOBIOGRAFIA.

SÃO O LUGAR PRIVILEGIADO PARA ENCONTRAR A DEUS, NÓS MESMOS E

AS ALEGRIAS E AS TRISTEZAS DA HUMANIDADE.

OS SALMOS SÃO ESCOLA DE ORAÇÃO,

SÃO ORAÇÃO UNIVERSAL.

TANTO NOS IDENTIFICAMOS NELES, QUE REZAMOS “COMO SE FOSSEMOS OS AUTORES” (G. CASSIANO).

É CRISTO QUE FALA NOS SALMOS, É A IGREJA QUE REZA PARA CRISTO.

SEGUNDO S. TOMÁS DE AQUINO O SALMO 22 “MAIS QUE UMA PROFECIA É UM EVANGELHO”.

O CONCILIO VATICANO II (SACROSANTUM CONCILIUM 84) AFIRMA: “OS SALMOS SÃO A VOZ DA MESMA ESPOSA (A IGREJA) QUE FALA AO SEU ESPOSO (CRISTO)”.

Padre Ausilio Chessa

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Vamos aprender um pouco sobre Jejum?

Abaixo está um arquivo com slides sobre os diferentes tipos de jejum. Aproveite para viver uma santa quaresma!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Povo, Lei e Direitos Inalinenáveis

 

Há no homem uma tendência – e também uma capacidade – de influenciar as pessoas, que não deriva da inteligência ou de uma aplicação desta, mas é conseqüência do poder exercido, não sempre segundo as regras da Justiça  e da Lei natural.

Quando o homem alcança o poder e este é usado de uma forma discriminatória, ou segundo critérios não conformes aos princípios humanos, ele considera as outras pessoas não segundo a dignidade humana, mas como coisas ou mero instrumento do mesmo poder.

Aquele que exerce o poder, e a conseqüente autoridade e potestade, por si mesmo si relaciona com as pessoas de uma forma “paritária” porque sabe que é expressão de um outro equivalente “poder” que nas democracias pertence ao povo, neste campo o verdadeiro soberano, porque fonte do poder que normalmente é o mais vistoso e ao mesmo tempo sujeito aos vínculos da Constituição e da Lei.

O povo exerce, certa maneira, a função de “consciência”, norma suprema abstrata à qual devem configurar-se aqueles que exercem realmente o poder.

Se pode pensar que o povo tenha um tal “sensus legis” e um tal “sensus juris” que possa ser regra de comportamento para o legislador e por aqueles que devem interpretar as leis.

Um exemplo, entre os muitos, é dado pelos valores aos quais o povo não renuncia – porque constitutivos do próprio ser - e que a mesma lei humana não pode violar: vida, família e dignidade da pessoa.

Padre Ausilio Chessa

domingo, 13 de janeiro de 2013

Batismo de Crianças

 

batismo

Dom Estevão Bettencourt

Muitos desejariam adiar o Batismo para a idade madura dos candidatos, pois dos que são batizados na infância, muitos não assumem as obrigações decorrentes do sacramento. Em 1980, então, a Igreja publicou uma Instrução sobre o Batismo das Crianças. Vejamos seu conteúdo.

A Bíblia não se refere explicitamente ao Batismo de crianças, mas narra que vários personagens se fizeram batizar "com toda sua casa". A expressão "casa" designava o pai de família com todos os seus, inclusive as crianças.

No século II, aparecem os primeiros testemunhos diretos do Batismo de crianças, nenhum deles o apresenta como inovação. Santo Ireneu de Lião (+ 202) considera óbvia, entre os batizados, a presença de "crianças e pequeninos" ao lado dos jovens e adultos (Contra as Heresias II-24,4). São Cipriano de Cartago (+ 258) dispôs que se podiam batizar as crianças "já a partir do segundo ou terceiro dia após o nascimento" (Epístola 64). Esta prática foi reafirmada nos concílios de Cartago (418) e de Trento (1547).

O Catecismo da Igreja, parágrafo 1250, afirma que "a gratuidade pura da graça da salvação é particularmente manifesta no Batismo das crianças."

A razão teológica da prática do Batismo de crianças é a seguinte: o sacramento não é mera matrícula nurna associação, mas é um renascer, um receber a vida nova dos filhos de Deus, que tem pleno sentido mesmo que a criança ignore o que lhe acontece; esse renascer para a vida eterna é que dá pleno sentido ao primeiro nascimento (a partir dos pais), pois torna a criança herdeira do Sumo Bem.

O fato de que as crianças ainda não podem professar a fé pessoalmente não é obstáculo, pois a Igreja batiza os pequeninos na fé da própria Igreja, isto é, professando a fé em nome dos pequeninos. Esta doutrina se acha expressa no Ritual do Batismo, quando o celebrante pede aos pais e padrinhos que professem "a fé da Igreja, na qual as crianças são batizadas".

A Igreja só não batiza as crianças, quando os pais não o querem ou quando não há garantia alguma de que o batizado será educado na fé católica. Mesmo quando os pais não vivem como bons católìcos, a Igreja julga que a criança tem o direito de ser batizada, desde que os próprios pais ou padrinhos ou a comunidade paroquial lhe ministrem a instrução religiosa. Assim, os pais católicos que não vivem o matrimônio sacramental tem o dever de mandar batizar os filhos e providenciar a sua educação religiosa.

É comum levantar-se a seguinte questão: o Batismo das crianças constitui um atentado à liberdade das mesmas; impõe-lhes obrigações religiosas que talvez não queiram aceitar em idade juvenil.

Respondemos:

1. No plano natural, os pais fazem, em lugar de seus filhos, opções ìndispensáveis ao futuro destes: o regime de alimentação, a higiene, a educação, a escola... Os pais que se omitissem a tal propósito sob o pretexto de salvaguardar a liberdade da criança, prejudicariam seriamente a prole. Ora, a regeneração batismal vem a ser o bem por excelência que os pais católicos devem proporcionar aos filhos.

2. Mesmo que a criança, chegando a adolescência, rejeite os deveres do Batismo, o mal é então menor do que a omissão do sacramento. Com efeito, o fato de alguém rejeitar a boa educação que recebeu, é dano menos grave do que a omissão de educação por parte dos pais. Além do mais, os gérmens da fé depositados na alma da criança poderão um dia reviver. Caso não seja possível batizar, a Igreja confia a criança falecida ao amor de Deus, que é Pai e fonte de misericórdia. A doutrina do limbo não constitui artigo de fé, de modo que se pode crer que Deus tem recursos invisíveis para salvar todas as crianças, mesmo as que morrem sem Batismo. Isto, porém, não exime os pais do grave dever de levar, quanto antes, os seus filhos à pia batismal, pois, se os sacramentos não obrigam a Deus, obrigam a nós, criaturas.

Autor: Dom Estevão Bettencourt
Fonte: Livro "Católicos Perguntam"

Technorati Tags: ,
sábado, 22 de dezembro de 2012

NATAL REFLEXO DO MISTÉRIO TRINITÁRIO

 

"A Trindade é a nossa família, na qual queremos estar por toda a eternidade..."

O Mistério da Santíssima Trindade é necessário para amar a Deus e aos irmãos e a Deus que se revela de uma forma semelhante a nos com o Filho Unigênito manifestamos nosso amor ajoelhando-nos em adoração diante do Menino Jesus que nasce em Belém.

É esta adoração-amor que nos aproxima ao Mistério que celebramos no Natal mais de quanto possamos pensar. Somos chamados, somos admitidos a estar com a nossa humanidade diante do Filho eterno que assume a natureza humana excluído o pecado, para resplender da glória perdida com o pecado original.

Com este pecado era-nos quase impedido de falar de Deus se não como desejo de salvação e nostalgia da graça perdida.

Com o Natal é possível falar do Senhor da História e do tempo, falando do seu Amor, que é a sua mesma Vida, que contemplamos no Menino Jesus.

Adorando o Menino Jesus já contemplamos o Amor de Deus Pai, de Deus Filho e de Deus Espírito Santo, um só Deus em três Pessoas, o realizar-se d´Aquele que "será chamado Filho do Altissimo" (Lc 1,32), "chamado Filho de Deus" (Lc 1,35), porque "o Espírito Santo virá sobre ti" (Lc 1,35).

Este Amor nos é dado na bondade comunicada aos nossos corações por Deus Criador, na obra da redenção de Deus Filho, na santificação do Espírito Santo.

Nós participamos na vida trinitária não só a nível individual, mas como filhos que, de originariamente dispersos, se tornam Povo reunido em unidade (cfr. Conc. Vat. II Ad Gentes 2 e Jo 11,52).

As multidões que acorrem para adorar Jesus são o novo Povo de Deus, a Igreja que inicia a própria peregrinação para encontrar o Senhor.

Lá em Belém nasce a primeira Igreja domestica: Jesus, Maria e José, a Igreja divina e humana ao mesmo tempo

Lá estão as fontes da nossa identidade de pessoas e de Povo de Deus;  enriquecidos pelo fato de ter em origem uma família constituída e gerada pelo amor. É por esta identidade e por este amor que é possível ser Povo.

A Trindade é a nossa família, na qual queremos estar por toda a eternidade e por esta razão queremos torná-La presente desde agora nas nossas famílias, para que façam experiência do Amor trinitário.

Padre Ausilio Chessa

A SANTISSIMA TRINDADE

O Mistério

“O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, é a luz que os ilumina”

(Catecismo da Igreja Católica [CIC] 234).

“Os Padres da Igreja distinguem entre a “Theologia” e a “Oikonomia”, designando com o primeiro termo o mistério da vida íntima do Deus-Trindade e com o segundo todas as obras de Deus por meio das quais Ele se revela e comunica a sua vida...As obras de Deus revelam quem Ele é em si mesmo e, inversamente, o mistério do seu Ser íntimo ilumina a compreensão de todas as sua obras (CIC 236).

1) A Trindade é um mistério que não pode ser conhecido sem uma revelação, e mesmo com esta não pode ser penetrado interiormente pelo nosso intelecto.

2) Tratando este mistério, o silencio deve prevalecer sobre as palavras: “Deus se honra com o silencio não porque por nada se fale ou se indague dEle, mas porque somos cientes da nossa desproporção para entender Ele” (São Tomas de Aquino). A adoração deve prevalecer sobre a especulação.

3) O Apostolo S. Paulo na carta aos Romanos (11,33-36) escreve: “Que abismo de riqueza, sabedoria e ciência de Deus! Quão insondáveis suas decisões, quão impenetráveis seus caminhos! Quem conhece a mente de Deus? Quem foi seu conselheiro? Quem lhe deu primeiro para receber em troca? A partir dEle, por Ele, para Ele tudo existe. A Ele a glória pelos séculos. Amém!”

4) A incomensurabilidade de Deus não determina uma separação entre Deus e homem. Mesmo com a primazia da adoração sobre a especulação, a razão é chamada pela fé á uma pesquisa, é o “intelecto da fé” (fides quaerens intellectum).

5) O mistério por si mesmo não comporta a negação da razão humana, ao contrario comporta uma adequação da inteligência, capacita o conhecimento.

6) Pela fé o mistério não comporta um Deus afastado mas revelado e próximo de nós na sua relação mais compreensível, na Paixão e Morte de Jesus: “Deus é amor” (1Jo 4,8).

Santíssima Trindade e Igreja

A) O Concilio Vaticano II nos dá um conceito de Igreja “trinitária”, ou seja povo de Deus reunido na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ela manifesta no mundo, atuando na história, a vida trinitária (missões) cumprindo com a própria presença e missão o plano de Deus Pai.

B) A Igreja é “ícone da Trindade”, mostra ao mundo o rosto de Deus Trindade e testemunha o amor trinitário, ou seja, católica na comunhão universal ou seja católica

C) O Concilio Vaticano II afirma: “A Igreja une oração e trabalho, para que o mundo inteiro em todo seu ser seja transformado em povo de Deus, em corpo místico de Cristo e templo do Espírito Santo, e em Cristo, centro de todas as coisas, seja dada toda honra e gloria ao Criador e Pai do universo” (Lumen Gentium, 17).

D) A história humana – na qual opera o mistério de Deus – é história “trinitaria” porque relacionada com a morte e ressurreição do Filho do Pai, doador do Espírito, que dirigiu o senso da história para o amor de Deus.

E) As duas confissões trinitarias: 1) Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e 2) Gloria ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo estabelecem: 1) Tudo vem do Pai pelo Filho no Espírito e 2) Tudo, no mesmo Espírito, pelo Filho volta ao Pai. Desta forma e estrutura é feita a nossa liturgia, que assim aparece mais compreensível.

F) Além da liturgia, a mesma Igreja segue o mesmo esquema: vem da Trindade, vá para ela e é estruturada a sua imagem. A sua unidade no tempo é dada pela apostolicidade, e no espaço pela catolicidade. Desta maneira ressalta demais a afirmação de S. Cipriano “Povo adunado pela unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

Padre Ausilio Chessa

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A IMACULADA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA, ESPERANÇA DA HUMANIDADE

 

Como todas as celebrações litúrgicas, também a celebração da Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora nos conduz ao mistério de Deus e em particular ao mistério de Cristo.

Maria é em absoluto a criatura humana da qual se pode afirmar que é em modo especial criada “à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26ss) porque é “cheia de graça” (Lc 1,28).

E a plenitude da graça concedida à Virgem Maria é única, iniciando por aquela de ser concebida sem ser atingida e ferida pelo pecado original e assim ser a Imaculada Conceição.

Como afirmam os grandes teólogos – entre estes padre G. Roschini O.S.M. - o ser a Imaculada Conceição significa esta unicidade, o absoluto da graça concedida que é confirmada e se torna visível somente em Maria, como é afirmado no Magistério da Igreja: a Bula “Ineffabilis Deus” fala de privilegio “singular”; a confirma que é “privilegio singularíssimo, que não foi concedido a nenhum outro” [1].

Sempre segundo padre G. Roschini O.S.M. o que deve ser evidenciado é que Maria foi preservada do pecado original e não libertada.

Não é uma imunidade porque, como descendente de Adão, era sujeita ao pecado original.

Como afirmaram bem 33 teólogos no Congresso Mariológico internacional de 29 e 30 de outubro de 1954 “A Bem Aventurada Virgem Maria teria contraído o pecado original, se não tivesse preservada”.[2]

Ao mesmo tempo Ela pertence à categoria dos redimidos pelos méritos de Cristo seu Filho, como é possível ver no Cântico do Magnificat: “E exulta o meu espírito em Deus meu Salvador” (Lc 1,47).

Mesmo que na Sagrada Escritura não exista uma especifica e direta citação ou referência, os Padres da Igreja e a Tradição interpretam a mulher de Gn 3,15 como uma prefiguração de Maria, dando inicio ao Protoevangelho, o inicio da Salvação.

A figura majestosa da mulher e da sua descendência resgata a humanidade da ignomínia do pecado original.

Em Gêneses 3,15 – como afirma o biblista Ortensio Da Spinetoli – temos um “filão messianico” que associa o rei Messias com a Mulher como faz notar o Abade Dom Bruno Marin OSB.
Podemos ver também na Mulher com a "sua stirpe" a primeira "profezia" e promessa ao mesmo tempo na História da Salvação.

Maria, sendo a Imaculada Conceição, pela prefiguração que nos é dada em Gêneses 3,15, é a primeira figura messiânica associada ao Cristo, modelo para todos os redimidos e em modo eminente associada por Ele na obra da redenção.

O Mal e o Maligno que insidia a humanidade será vencido pela descendência da nova humanidade que nós reconhecemos em Maria, porque gera Jesus Cristo, novo Adão.

Na nova Criação, Eva, vencida e submetida ao pecado, será substituída por Maria, que não será atingida pelo pecado original, pela sua integridade, enquanto Imaculada Conceição.

A graça, única, concedida por Deus não será violada, e ao mesmo tempo será guardada em obediência Àquele que se dignou dirigir seu olhar para a Mãe da humanidade redimida: “Ele olhou para a humildade de sua serva” (Lc 1,48).

Come faz notar o teólogo padre G. Roschini O.S.M. se podem aplicar a Maria as palavras do rei Assuero para a rainha Ester: “Esta lei, que pus para todos, não é para te” (Est 15,3) [Coragem, não morrerás. Nossa ordem é apenas para nossos súditos].[3]

Estas palavras podemos aplicar à Virgem Maria que é a Imaculada Conceição e Assunta em céu em alma e corpo, Aquela que antes dos séculos é a escolhida para “ser chamada bem aventurada por todas as gerações”(Lc 1,48).

A “Escolhida” por Deus é também a “Escolhida” por toda a humanidade para ser nossa "Mãe na ordem da graça" (Concilio Vaticano II, Lumen Gentium, 61), porque Mãe de Jesus e Mãe de Deus.
Como Maria é a Imaculada Conceição na plenitude da dignidade para ser Mãe de Jesus e Mãe de Deus, assim Ela é a Imaculada Conceição para ser Mãe de todos os redimidos.

Padre Ausilio Chessa

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

ANO DA FÉ, VIDA ESPIRITUAL E SANTIDADE

 

A ESPIRITUALIDADE

Segundo São Boaventura a vida espiritual é uma imediata participação em nós da mesma vida de Deus, no tempo através da graça, na eternidade através da glória.

Nela coloca três atos:

1)

“a purificação (tirar o pecado) que conduz à paz;

2) a iluminação (imitar Cristo) que leva à verdade e

3) a perfeição (receber o Esposo) à caridade” (De tríplice via);

respectivamente, na oração: os iniciantes choram o pecado, os que traem proveito imploram a graça, os perfeitos adoram a Deus (id.).

São Boaventura continua afirmando que todos os cristãos são chamados para a vida mística.

A vida espiritual é o agir e o ser para progredir na espiritualidade.

Esta é a perfeição da vida segundo a graça de Deus, mais do que a nossa natureza.

S. Gregório de Nissa afirma: “Aquele que vai subindo jamais cessa de progredir de começo em começo, por começos que não tem fim. Aquele que sobe jamais cessa de desejar aquilo que já conhece” (Hom. In Cant. 8, PG 44,941).

Comporta um relacionamento afetivo com Deus, segundo o mandamento do amor: “Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo teu entendimento. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mt 22,37-40; cf. Dt 6,5; Lv 19,18).

O amor é a regra e o fim da vida espiritual, conforme o significado dos dois termos vida e espírito.

Vida que é a totalidade do humano e espírito como fim e perfeição que deve caracterizá-la.

A Palavra de Deus é fonte e regra da espiritualidade: o conformar-se à vontade de Deus e o desejo d´Ele supera cada exigência humana de religiosidade ou espiritualidade que seja simples e puro conhecimento (gnose).

É por esta Palavra que necessariamente há uma interação entre espiritualidade e santidade.

A nossa experiência espiritual não é sobre Deus, mas experiência de Deus.

Neste sentido a Carta aos Hebreus nos apresenta a fé como experiência que nós temos de Deus: “A fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se vêem” (Hb 11,1).

Neste sentido, “demonstrar” é relacionado com uma experiência.

Esta experiência de Deus é dada por uma contínua procura e por um encontro com Ele.

È uma experiência dialógica com Aquele que é três vezes Santo, e por esta razão supõe, exige e conduz para a santidade.

O fim desta experiência é a “união sempre mais íntima com Cristo” – modelo absoluto da vida espiritual - e, Nele, no mistério da Santíssima Trindade.

A vida espiritual se desenvolve seguindo o Senhor Jesus no seu itinerário por Ele marcado no Evangelho e na experiência de fé da Igreja ao longo dos séculos.

Uma vida espiritual seguindo um Cristo idealizado sem uma referência à sua humanidade seria –salvas as experiências místicas - uma “via angélica” não adequada à condição humana.

Ao contrario, uma vida espiritual que enfatize exclusivamente o Jesus histórico, seria um puro exercício de imitação humana, não teria as características de vida espiritual.

ESPIRITUALIDADE E ORAÇÃO

A afirmação do Salmo 42,2: “Minha alma tem sede de Deus” é a base da espiritualidade porque Deus é a exigência primaria do homem; não existem opções que possam substituí-Lo.

Certa maneira, a espiritualidade – a maior razão Deus – é a resposta à solidão do homem.

È o ser humano, que do seu profundo – a alma – procura um outro Ser.

Também o Salmo 62,2: “Minha carne te deseja” revela o ser humano à procura de Deus, não somente no inicio, mas ao longo de toda existência; o homo spiritualis na própria corporeidade, que não é somente matéria.

Espiritualidade sapiencial

Os sábios de Israel – na literatura sapiencial - ensinaram ao povo a não cair no pecado, em particular a idolatria, a valorizar cada realidade humana e terrestre e a assumir os compromissos éticos da caridade e da justiça, numa perspectiva ética e espiritual.

A sabedoria se conforma à graça (Sb 9; Eclo 4,12; 1Rs 3):

“Ele dá a sabedoria àqueles que vivem com piedade” (Eclo 43,17).

A oração é base da vida espiritual e a Eucaristia é “coroamento da vida espiritual” (S. Tomás de Aquino).

A SANTIDADE

A santidade é uma conseqüência da espiritualidade, mesmo sendo ligadas uma com a outra.

A vocação universal para a santidade - Deus nos chamou a “ser conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8,29) – convive com a particular: “A cada um de nós foi dada a graça conforme a medida do dom de Cristo” (Ef 4,7).

O Catecismo da Igreja Católica no fornece uma síntese da vida espiritual e afirma: “O progresso espiritual tende à união sempre mais íntima com Cristo. Esta união recebe o nome de “mística”, pois ela participa no mistério de Cristo pelos sacramentos – “os santos mistérios” – e, nele, no mistério da Santíssima Trindade, Deus nos chama a todos a esta intima união com Ele, mesmo que graças especiais ou sinais extraordinários desta vida mística sejam concedidos apenas a alguns, em vista de manifestar o dom gratuito feito a todos” (n. 2014).

Renúncia, combate espiritual, ascese, mortificação em vista da perfeição – passando pela cruz – com a graça da perseverança final (cf. Catecismo da Igreja Catolica 2015) são as coordenadas da vida espiritual para santificar-se.

Padre Ausilio Chessa

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

AS REALIDADES ULTIMAS SÃO NECESSÁRIAS PARA A NOSSA ESPIRITUALIDADE E MORALIDADE

1)

O discurso sobre as realidades últimas – escatologia - não pode ser confinado somente ao futuro ou ao campo das hipóteses, mas abrange a totalidade da vida, tendo presente que esta desde o inicio é orientada para o futuro num devir que é a razão da existência.

Desde a Criação aparecem delineadas as realidades últimas, porque Deus fixa o destino do homem conseqüente ao pecado original: “Com o suor de tua fronte comerás o pão, até que voltes à terra, porque dela te tiraram; pois és pó e ao pó voltarás” (Gn 3,19).

O homem é assim um ser escatologico com a salvação oferecida depois do pecado original (cfr. Gn 3,15)

O ser humano, mais do que de presente, vive no desejo continuo de futuro e de eternidade, como bem afirma São Paulo: “Voltamos os nossos olhares para as coisas invisíveis e não para as coisas visíveis” (2Cor 4,18).

Este desejo pela fé se torna certeza segundo quanto é revelado no Evangelho de São Lucas quando um dos dois malfeitores suplica Jesus moribundo: “Jesus, quando chegares ao teu reino, lembra-te de mim” (Lc 23,42) e quando Jesus responde: “Eu te asseguro que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43).

O fato de olhar para as “coisas invisíveis” confirma a efetiva realidade destas “coisas”, escondidas para nós que estamos na condição da precariedade e imperfeição da vida, mas ao mesmo tempo abertos pela fé e a esperança para as realidades invisíveis.

Com maior força, a Carta aos Hebreus (11,1) confirma: “A fé é uma posse antecipada do que se espera, um meio de demonstrar as realidades que não se vêem”.

É pela fé que nós olhamos para estas realidades últimas, não conhecendo a essência delas segundo os critérios humanos, mas segundo a Sagrada Escritura e a Tradição.

É pela fé que a moral reflete estas realidades e para elas se adéqua, porque constituem um “critério” objetivo para o nosso comportamento.

É de ter presente que o juízo moral deve cair também sob o “império” destas realidades, que de fato são uma “norma”.

2)

A Igreja primitiva reflete intensamente sobre estas realidades atribuindo grande significado, em particular aclamando: “Maràn athá-Signore, vieni”.

O livro da Didaqué coloca esta invocação no final da II “Oração eucarística” (10,6), “conferindo à celebração da Santa Ceia uma valença escatológica (Pe. Salvatore Panimolle, Marán athá=Vem, Senhor!, em Escatologia, Dizionario di Spiritualitá Bíblico-Patristica, Borla 1997, pag. 7)

A virtude teologal da esperança é por si mesma a “ponte” que nos permite de ter presentes as realidades últimas, porque a esperança da ressurreição – certa quanto é certo o nosso nascimento - (2Mc 7,9.11.14.23; Dn 12,1-2) abre o caminho para crer nos Novíssimos.

É por esta esperança que o pensar aos Novíssimos não pode comportar medo mais do que é razoável, do momento que o fim último da vida é de estar na glória de Deus, na visão beatifica com todos os Santos.

3)

São Paulo nos fornece uma trajetória de reflexão, de como deve desenvolver-se, e de fato é, a nossa experiência de fé em relação às realidades últimas.

Pensando para estas realidades últimas devemos ter um espírito livre: “Por isso, não desanimamos. Mesmo se o nosso homem exterior se vai arruinando, o nosso homem interior, pelo contrário, vai-se renovando, dia a dia. Com efeito, o volume insignificante de uma tribulação momentânea acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável” (2Cor 4,17).

“Homem exterior” e “Homem interior” são os elementos que nos ajudam a entender qual é a nossa condição real na vida terrena: uma decadência, preparação para a morte corporal e um renovar-se, preparação para a vida eterna.

É a dimensão do sobrenatural, própria do homem, que com maior razão deve prevalecer no cristão, porque o “homem interior” é um reflexo da vida sobrenatural, de tal maneira “que também a vida de Jesus seja manifestada em nossa natureza mortal” (2Cor 4,11).

Neste aspecto aparece “forte” a reflexão de Emil Brunner: “uma Igreja que não tem mais nada de ensinar sobre a eternidade futura, não tem mais absolutamente nada de ensinar, e é em falência” (L´eternitá come futuro e tempo presente, EDB Bolonha, 1973; em Candido Pozo, Teologia dell´aldilá, Ed. Paoline 1983, pag. 98).

Padre Ausilio Chessa

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A DIVINA PROVIDÊNCIA

A PROVIDÊNCIA, AS MÃOS DE DEUS SEMPRE LANÇADAS PARA NÓS

A Criação é “em estado de caminhada” para uma perfeição ultima: a Divina Providência é dada pelas disposições segundo as quais Deus conduz sua criação para esta perfeição[1].

São Tomás de Aquino afirma que este devir permite, no desígnio de Deus, juntamente com as construções da natureza, também as destruições[2]. Temos desta maneira uma resposta às perguntas sobre o mistério do mal físico e das catástrofes naturais, superando todo fatalismo.

Podemos ver também no “estado de caminhada” da Criação uma purificação continua e “ascese” depois do pecado original, para a plenitude dos “novos céus e terra nova”[3] que formarão a nova Criação.

Submetendo a terra e dominando-la[4], os homens são “cooperadores de Deus”[5] e de seu Reino[6]: a Providência não é estranha às realidades humanas

“Deus, em sua providência todo-poderosa, pode extrair um bem das conseqüências de um mal, mesmo moral, causado por suas criaturas:

‘Não fostes vós, diz José a seus irmãos, que me enviastes para cá, foi Deus; (...) o mal que tínheis a intenção de fazer-me, o desígnio de Deus o mudou em bem a fim de (...) salvar a vida de um povo numeroso’[7].

É por meio da Providência que nós entendemos, na nossa liberdade e vontade, de ter um poder limitado sobre a nossa vida, que está nas mãos de Deus:

“Quem de vós pode prolongar a duração da própria vida?” [8].

A consciência deste poder limitado é porque o nosso “corpo é santuário do Espírito Santo”[9]. São Paulo afirma: “E, portanto, ignorais também que vós não pertenceis a vós mesmos?

No Pai Nosso invocando “Dai-nos o pão de cada dia” nós experimentamos a nossa limitação diante de Deus: precisamos d´Ele para manter-nos em vida.

E reconhecemos que Deus opera sempre para o nosso bem.

Padre Ausilio Chessa


[1] Catecismo da Igreja Católica, 302

[2] Sto Tomás de Aquino, S. Gent. III,1 – Cat. Igr. Católica 310

[3] Is 65,17; 2Pd 3,13

[4] Cfr. Gn 1,26-28

[5] 1Cor 3,9

[6] Cfr. Cl 4,11

[7] Gn 45,8; 50,20

[8] Mt 6,27

[9] 1Cor 6,19

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

ESPERANÇA CRISTÃ E REALIDADES ÚLTIMAS, O DIA DO SENHOR

1)

“É próximo o dia do Senhor”, assim o profeta Sofonias (1,7.14) nos conduz numa perspectiva escatológica que exige uma resposta que nos torne dignos da salvação.

Não se trata de fugir, mas de ir encontro ao Senhor: “Procurai o Senhor, vós todos, pobres da terra, que cumpris suas ordens, procurai a justiça, procurai a humildade, por acaso podereis encontrar reparo no dia da ira do Senhor” (Sf 2,3).

De fato, ao tom da severidade se une aquele da esperança, de não ser abandonados por Deus, como é possível ver na reflexão do Salmo: “Ele convoca céu e terra ao julgamento, para fazer o julgamento do seu povo. Invoca-me no dia da angústia, e então te livrarei e hás de louvar-me” (Sl 49[50],4.15).

O “dia do Senhor” – último dia da história - nos abre o horizonte dos Novíssimos, Morte, Juízo, Inferno e Paraíso, incluindo neste o Purgatório: “Muitos dos que dormem no pó da terra, despertarão, uns para a vida eterna, outros para o opróbrio eterno” (Dn 12,2).

2)

É importante ver – como afirma Enzo Bianchi (cfr. Il giorno Del Signore, em Maranatha, Parola Spirito e Vita, EDB, Bologna 1983, pag. 16 e 21) ( além do “dia do Senhor” escatológico um “dia do Senhor” histórico que é o “dia de Jerusalém” (Sl 137,7), a sua destruição, um “dia do Senhor" para o Egito (Jr 46,10), para Babilônia (Is 13,6.9) e para Edom (Is 34,2-8).

Por esta razão o “dia do Senhor” é motivo de reflexão para o presente e para o futuro e reconduzido ao outro “dia do Senhor” – “dies Domini”, Domingo, que é dia de graça, será para nós momento favorável para obter a graça da penitencia e da conversão.

Seguindo este principio, é possível hoje atribuir um “dia do Senhor” para os povos ao longo da história?

É licito pensar ao “dia do Senhor” como advertência mais do que castigo quando a natureza manifesta a própria “violência” ferindo si mesma e a humanidade.

Por esta razão, o “dia do Senhor” na história ou no último dia é dia de esperança.

Padre Ausilio Chessa

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

SANTIDADE E VIRTUDES TEOLOGAIS

É necessário sentir a santidade como a expressão mais alta da humanidade da pessoa. Uma humanidade orientada continuamente ao realizar-se no homem do ser criado “à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26ss). 

É da esta “imagem e semelhança” com Deus que descende a ordem “Sede santos porque eu sou santo” (Lv 19,2).

A santidade, além de ser uma profunda comunhão de vida com Cristo, é a “visibilidade” da graça de Deus que age em nós e ao mesmo tempo é o realizar-se das três virtudes teologais.

Dando à fé a devida relevância por ser o fundamento da vida cristã, se pode afirmar que o fim desta é a caridade.

Cremos em Deus não para um mero conhecimento humano, mas orientados para amá-Lo segundo o espírito de Deus infundido em nós.

A fé é essencialmente um procurar e um crer numa Pessoa que devemos amar. Cremos em Jesus porque sabemos de dever amar Ele como resposta ao seu amor para nós.

Fé e caridade são inseparáveis: não é possível afirmar de ter a fé sem implicitamente afirmar de praticar a caridade.

Não é possível fazer uma profissão de fé sem que ao mesmo tempo não seja acompanhada pela caridade segundo quanto escreve São Tiago: “Te mostrarei a minha fé pelas obras” (Tg 2,18).

O crer é orientado para a esperança, as realidades futuras se tornam próximas de nós pelo fato que o desejo infundido pela esperança antecipam elas nesta terra seja como prefiguração de quanto deve realizar-se no futuro, seja como realidade da vida divina pela graça operante em nós.

É já um experimentar, como indica São Paulo, que “Fui crucificado com Cristo, e não vivo mais eu, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).

É na Eucaristia que nós experimentamos as três virtudes teologais: crer o Mistério da Fé que se celebra como síntese da nossa Fé, anunciar a morte e proclamar a ressurreição como manifestação de Esperança, viver a comunhão com Cristo como Caridade aqui na terra e para a vida eterna.



Padre Ausilio Chessa
 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Palavra de Deus na sua Dimensão Cósmica

A Palavra de Deus é fundamento de toda a realidade porque Cristo é “primogênito de toda criação” (Cl 1,15) e “todas as coisas foram criadas por meio dele e em vista dele” (Cl 1,16).

A partir da Criação é possível reconhecer a presença da Palavra eterna de Deus, pela qual “conhecemos plenamente também o significado de cada criatura” . È evidente que é um conhecimento orientado em particular modo para a transcendência. 

É a mesma Criação que nos leva para a transcendência e “a Palavra de Deus nos comunica a beleza de Deus por meio da beleza da Criação” .

Á dimensão cósmica da Palavra de Deus corresponde uma dimensão cósmica da Igreja, que não casualmente é católica. 

Nas palavras de envio de Mateus 28,19-27, Jesus dizendo “Ide para todo mundo” não põe limitações à missão dos Apóstolos. É evidente que, sendo limitado o número dos povos conhecidos, permanece aberta a possibilidade de evangelizar outros povos, como é possível ver depois. Hipoteticamente, novos lugares a ser descobertos fazem parte da missão cósmica da Igreja. 

São Boaventura afirma que “cada criatura é palavra de Deus, porque proclama Deus” . A universalidade do anuncio não é somente em relação aos povos que recebem o Evangelho, mas em relação áqueles que são chamados para anunciar, todos os batizados. 

A dimensão cósmica da Palavra de Deus é dada pela sua eternidade, sendo que o tempo e o espaço ajudam para uma compreensão desta característica.

Com a dimensão cósmica da Palavra de Deus é natural associar a dimensão cósmica da salvação. A Criação é lugar teológico na compreensão da Palavra e da Salvação. A relação entre “primeira e nova Criação” e a recapitulação em Cristo de todas as coisas dá um sentido à dimensão cósmica da Palavra e da Salvação. È bem lembrar que Teilhard de Chardin falava de uma dimensão cósmica do amor.

O fato de transcender toda a existência humana – imanente e transcendente ao mesmo tempo – conota a Palavra de Deus no seu ser cósmica. O Evangelho da Samaritana é significativo pela afirmação de Jesus sobre o culto: “Os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade” (Jo 4,23). Jesus extingue o culto localizado num território – Jerusalém, Samaria - instituindo um culto universal, cósmico nos “adoradores em espírito e verdade”.

O Santo Padre Bento XVI – na época Card. Ratzinger – na obra Introdução ao espírito da Liturgia escreve que na religião cristã devemos “sentir o cosmo falar de Cristo” e que a Eucaristia com a transformação do pão e do vinho em Corpo e Sangue de Cristo “quer dizer prestar um culto que abraça céu e terra”.

Na liturgia são presentes os elementos cósmicos: a pedra do altar, o fogo dos círios, a água (a humanidade) unida ao vinho, o ar para veicular o incenso .

A liturgia - unindo transcendente e imanente, divino e humano - absolve a função de representar o mistério de Deus, colocando o cosmo em relação com a pessoa, como afirmava o então Card. Ratzinger, numa “relação interior a linguagem do cosmo e a do coração humano”. 

As várias festas cristãs são relacionadas com o tempo cósmico: Páscoa (sol no sinal astral do Cordeiro); são João Batista (solstício de verão): “Ele deve crescer, eu diminuir” ; a Transfiguração quando o rosto de Cristo “brilhou como o sol” , acontece no coração do verão . 

A dimensão cósmica da palavra de Deus é solenizada na Liturgia eucarística com o Glória, o Santus e os sete pedidos do Pai Nosso que nos permitem de viver o mistério de Deus como relação de graça e salvação.

Além do aspecto glorioso da Palavra de Deus presente na Criação, temos uma experiência no aspecto sofredor quando São Paulo afirma que “sabemos que a Criação inteira geme e sofre as dores do parto até o presente” (Rm 8,22). A Criação que sofre – pelas conseqüências do pecado – vive “na esperança de ser libertada da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8,21). 

O Santo Padre Bento XVI, na época Card. Ratzinger, nos indica qual deve ser a nossa atitude com a Criação: não se deve gritar “Explorai-a! Fazei dela o que convém! Mas, ao contrário: reconhecei nela um dom de Deus! Protegei-a e cuidai como fariam os filhos com a herança de seu pai” . 


Padre Ausilio Chessa

domingo, 2 de setembro de 2012

Revelação e Comunicação

O homem nasce e vive na expectativa de comunicar-se e de entrar em dialogo com o mundo. Este aspecto primordial da pessoa caracteriza o seu ser. 

Entre as numerosas definições de “comunicação”, é interessante aquela pela qual ela é “um instrumento, um meio pelo qual é possível obter efeitos e alcançar resultados” (Dizionario enciclopédico di scienze e tecniche della comunicazione, Eri-Rai, Elledici, LAS, Roma 2001): é a comunicação como “técnica” (Tekné), fator de civilização.
Neste sentido, de fato, a civilização é a “comunicação” amplificada em todos os setores do saber humano. 

Esta definição, certa maneira, pode ser aplicada na Revelação se entendemos esta na perspectiva dos efeitos: Deus que se dá a conhecer e dos resultados: a salvação do homem. 

Na Criação – por si mesma Revelação - Deus estabelece que o dialogo seja o inicio da vida na família e a base da vida social. A primeira palavra de Adão é na forma “dialógica”– mesmo se indireta -: “Esta, sim, é osso de meus ossos e carne de minha carne. Ela será chamada ‘mulher’, porque foi tirada do homem!” (Gn 2,23). 

A comunicação é uma necessidade para afirmar que existimos como os recém-nascidos que choram para demonstrar seu ser e chamar a atenção dos outros.

Dar o nome é a base de cada dialogo e comunicação: “O homem chamou sua mulher ‘Eva’ por ser a mãe de todos os viventes” (Gn 3,20). O dialogo desde o inicio existe porque duas pessoas são da mesma natureza (“carne da minha carne”) e pela complementaridade.

No inicio da história humana, a Revelação nos mostra quanto o dialogo faça parte dos acontecimentos. 

Deus na Revelação dialoga com os homens – Patriarcas, Profetas - e no dialogo se manifesta como Pessoa. O homem, por sua vez, comunica aos outros o que é objeto da Revelação para ser ulteriormente transmitido com a Tradição. 

Esta – no seu aspeto oral - é o mais poderoso canal de comunicação antes de ter o Povo guardada a Palavra como Escritura. Então, em particular o Povo do Antigo Testamento, pelo dom da memória, por sua natureza é comunicador. 

É comunicador, não de uma noticia qualquer, mas da Verdade de Deus, da qual é consciente. Em virtude desta Verdade, pelo Espírito Santo – Espírito de Verdade – guarda a Palavra-Verdade com fidelidade.

O Povo de Deus, sempre pelo Espírito, possui a consciência que Deus é o Revelador e, por sua vez, de ser um povo comunicador, que deve ser o auxiliar do Revelador.

Uma consciência viva no passado: “E trarás gravadas em teu coração todas estas palavras que hoje te ordeno. Tu as repetirás com insistência aos teus filhos e delas falarás quando estiveres sentado em tua casa, ou andando pelos caminhos, quando te deitares, ou te levantares. Tu as prenderás como sinal em tua mão e as colocarás como um sinal entre os teus olhos; tu as escreverás nas entradas da tua casa e nas portas da tua cidade” (Dt 6, 6-9). 

A consciência do dever de comunicar é ligada com a fé, sendo a comunicação uma explicitação desta. 

O anúncio-comunicação é tal em função da fé: não é possível o anuncio sem a fé.

O anúncio, no seu aspecto pessoal, mesmo sendo mais direto, é parte da comunicação.

Revelação e comunicação-anúncio fazem parte da vontade salvífica de Deus, uma por ser a Verdade em absoluto que fundamenta a fé, e a outra por ser obrigada a respeitar e guarda-la. 

A Revelação de Deus é a manifestação do seu Mistério e da sua vontade e sendo a Revelação própria de Deus, devemos dar a ela um valor absoluto.

Deus na Revelação comunica toda sua grandeza na Encarnação do Filho Unigênito.

O absoluto desta “comunicação” de Deus – desde a Criação – é quanto São Paulo escreve em 2Cor 4,6: “Porquanto Deus, que disse: Do meio das trevas brilhe a luz! (Gn 1,3), foi ele mesmo quem reluziu em nossos corações, para fazer brilhar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo”.

A Revelação no seu aspecto de comunicação é a graça que recebemos de participar da dignidade da glória de Deus, e de comunicar com Ele como Jesus nos ensinou dizendo como filhos “Abbá”, “Pai”. 

Fonte: Pe. Auxilio Chessa

 
;