Tempo de penitência, tempo de graça e tempo de salvação, assim podemos definir a Quaresma.
A penitência individual e comunitária é uma característica do Povo de Deus, convocado pelo Senhor para retornar –converter - na pratica do amor a Ele e da justiça, como podemos ouvir pelas palavras de Jesus: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).
Penitência individual e comunitária ao mesmo tempo.
Penitência individual para conhecer melhor nós mesmos “em nós mesmos”, na unicidade da Graça que nos é dada pelo amor misericordioso do Pai.
Conhecer melhor nós mesmos “em nós mesmos” a partir daquela luz que nos foi dada sendo criados “à imagem e semelhança de Deus” (Gn 1,26ss), verificando se por acaso somos como um candeeiro fumegante ou como aquela imagem não resplandecente no seu fulgor originário, ou pior deturpada na beleza que deve refletir.
Penitência comunitária, bem sabendo que cada pecado individual interessa o Povo de Deus, porque “se um membro sofre, todos os outros membros com ele” (1Cor 12,26) e ao mesmo tempo cada um carrega a responsabilidade dos próprios irmãos, memores das palavras do Senhor: “Onde está teu irmão?” (Gn 4,9), pelas ofensas por nós e a nós infligidas.
Tal responsabilidade pesa sobre os ministros sagrados que, em ordem à salvação, na penitência de todos, devem ser modelo de penitência: «Chorem, postos entre o vestíbulo e o altar, os ministros sagrados do Senhor e digam: “Perdoa, Senhor, a teu povo”» (Jl 2,17).
A penitência nos aproxima ao Senhor que vem ao nosso encontro com a Graça, que “não podemos receber em vão” 2Cor 6,1), porque não podemos resistir à sua força e porque é “o momento favorável, o dia da salvação” (2Cor 6,2).
Jesus nos indica o modo para acolher a Graça pela qual “nos deixamos reconciliar com Deus” (2Cor 5,20): com “a esmola, a oração, o jejum” (Mt 6,2.5.16).
Com a esmola, para poder responder àquela originária pergunta: “Onde está teu irmão?” (Gn 4,9); com a oração para invocar a misericórdia; com o jejum para livrar-nos dos impedimentos materiais que retardam o caminho de conversão.
O silêncio, o escondimento respeito ao clamor do mundo, a serenidade pela “alegria de ser salvos” (Sl 50[51],14) nos conduzem a uma experiência de fé que será plena na Páscoa para a qual nos preparamos.
Padre Ausilio Chessa
