1)
O caminho quaresmal – como toda a nossa peregrinação terrena – se fundamenta essencialmente, orientados para a Páscoa, numa profissão de fé, da qual a penitência é uma conseqüência, ou melhor, uma explicitação.
Profissão de fé, não somente direta segundo a formula litúrgica, mas encarnada na vida cotidiana segundo um estilo de vida conforme ao Senhor Jesus.
Por esta razão, a Quaresma é um tempo no qual, seguindo a profissão de fé de Israel, estruturada na passagem da escravidão para a liberdade (cfr. Dt 26,4-10), devemos refletir e decidir-nos para a nossa passagem – mudança – do pecado à Graça, e assim também nós inclinar-nos em adoração (cfr. Dt 26,10) diante de Cristo Ressuscitado.
2)
É diante de Cristo Ressuscitado – Jesus e Senhor - que se renovará a nossa profissão de fé: “crer que Deus o ressuscitou dos mortos” (Rm 10,9) para ter aquela liberdade de espírito pela qual “Todo aquele que nele crer não ficará confundido” (Rm 10,11) e na qual todos – judeus e gregos – somos unidos no mesmo Senhor (cfr. Rm 10,12).
Será uma profissão de fé não limitada ao aspecto formal, mas expressão do nosso ser total, “boca e coração” (Rm 10,8), uma invocação de um nome que é “o Nome do Senhor”, um nome que dá a salvação (Rm 10,13).
3)
Em Jesus, “tentado pelo diabo durante quarenta dias no deserto” (Lc 4,1), temos, certa maneira, especificas "profissões de fé" todas as vezes que Ele invoca a Escritura como resposta que fundamenta a oposição ao diabo: 1) “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem’”; 2) “A Escritura diz: ‘Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Ele servirás”; 3) “A Escritura diz: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’” (Lc 4,4.8.12).
Estas “profissões de fé” de Jesus devem ser as nossas como resposta às tentações do diabo.
Padre Ausilio Chessa
