1)
A Aliança de Deus com seu Povo, além de ser a manifestação do seu amor, é o testemunho da vontade humana que quere corresponder com um assenso de fé: “Abrão teve fé no Senhor, que considerou isso com justiça” (Gn 15,6) a uma promessa que da mesma Aliança é o ato formal: “Aos teus descendentes darei esta terra” (Gn 15,18).
Refletir sobre a Aliança é como refletir sobre o porque da Criação, porque ambas constituem a manifestação do amor de Deus cuja plenitude é o Cristo Filho Unigênito do Pai.
Como no Antigo Testamento a Aliança é visível no dom da terra: “Aos teus descendentes darei esta terra” (Gn 15,18), assim no Novo Testamento (Nova Aliança) é visível no dom do Filho pelo Pai a toda a humanidade, Cristo, que aperfeiçoa a Antiga Aliança.
2)
A Aliança que Cristo estabelece como “nova e eterna Aliança” é o chamado para uma transformação do cristão: “Ele transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso” (Fl 3,21).
Em São Paulo a Aliança supera as categorias humanas, quando afirma que "somos ministros de uma Aliança nova, não da letra, e sim do Espírito, porque a letra mata, mas o Espírito comunica a vida" (2Cor 3,6).
A participação do cristão na obra da Redenção assume as características do ministério, orientado para o Cristo e ao mesmo tempo acompanhado pela Graça recebida pela Aliança do Espírito.
3)
A experiência da Transfiguração é uma confirmação da Aliança do Pai com os Apóstolos representados por Pedro, João e Tiago, no Filho: “Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutai o que Ele diz!” (Lc 9,35).
A revelação do Pai de fato é o revelar-se numa Aliança na qual doa o próprio Filho e que exige uma obediência e docilidade à Palavra que proclamará.
De certa maneira, mesmo sem uma consciência plena – “não sabia o que estava dizendo “ (Lc 9,33) - por Pedro é dada a adesão a esta Aliança: “Mestre, é bom estarmos aqui” (Lc 9,33), exatamente no corresponder da própria vida com a vida de Cristo.
De fato, a Aliança é a plenitude do ser cristão, confirmada por nós comungando ao Corpo e ao Sangue de Cristo e, certa maneira, se atualizam sacramentalmente os ritos que antigamente confirmavam a aliança no sangue daqueles que estipulavam a mesma aliança.
O Corpo e o Sangue de Cristo, substituindo os ritos da Antiga Aliança, constituem a Nova e Eterna Aliança: Cristo Sacerdote, Altar e Vitima.
De modo particular, a Transfiguração nos acompanha neste tempo de Quaresma para sermos transfigurados com Cristo por meio da oração, da esmola e do jejum.
Padre Ausilio Chessa
