terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A RENÚNCIA DO PAPA BENTO XVI, UM SINAL DOS TEMPOS

 

A renúncia do Santo Padre Papa Bento XVI pode ser considerada à luz dos sinais dos tempos, ou melhor, ela mesma é um autêntico sinal dos tempos porque nos demonstra que o poder humano é sempre submetido ao poder de Deus.

Temos razões que justificam a atribuição de sinal dos tempos quando nas palavras do Santo Padre é afirmado que a renuncia  é "para o bem da Igreja".
Por esta razão podemos ver este sinal dos tempos como motivo de esperança para a Igreja e para a humanidade, sendo o ato do Papa de uma relevância intra e extra eclesial pela consideração a Ele reconhecida.

A renúncia de Papa Bento XVI não é limitada ao campo da Igreja, mas é um exemplo e um monito ao mesmo tempo para quantos exercem um poder, ao qual não podem identificar-se ilimitadamende, personificando-lo.

De fato, além do aspecto estreitamente espiritual, é possível ver uma relevância ética que ajuda ao nível eclesial - e também extra-eclesial - a reconsiderar as próprias funções sempre em relação ao bem da instituição para a qual é prestado o próprio serviço.  

Existem circunstâncias nas quais a vontade humana não pode prevalecer sobre a vontade de Deus que se revela em formas misteriosas, a "imanente Providência", mas sempre compreensíveis através a consciência da pessoa.

Considerando a decisão do Papa Bento XVI como uma explicitação de um sinal dos tempos que deve ser objeto de atenção, a Igreja reflete mais uma vez sobre a própria natureza divina e humana ao mesmo tempo.

É a natureza humana da Igreja, associada à natureza divina, que nos interpela para ver, numa decisão pessoal conforme a própria consciência e a vontade de Deus, o mistério de Cristo operante em formas não comuns, mas sempre capazes de suscitar nos Povo de Deus – e também na humanidade – atenção, respeito, admiração por uma decisão que supera o simples aspecto humano.

É pela humildade do Papa Bento XVI – mais uma vez manifestada – que devemos olhar a pessoa do Sumo Pontífice e ao Magistério da Igreja, por ele eminentemente transmitido, com atitude filial e obséquio reconhecendo nele o Servus servorum.

A renuncia e a humildade por esta revelada constituem um sinal dos tempos para mostrar o rosto autêntico da Igreja, Esposa de Cristo, que continua a ser mãe e mestra em humanidade para conduzir-nos ao Cristo Senhor.

Padre Ausilio Chessa

 
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